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Compilado Módulos 2022

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CAPÍTULO 01 - Descobrindo o Agronegócio

Você sabe o que é agronegócio?

AGRONEGÓCIO é a soma de todas as operações que acontecem ANTES, DENTRO e DEPOIS das porteiras das fazendas.

Começa com a pesquisa científica, passa pela produção de insumos (máquinas, implementos, fertilizantes, defensivos etc) usados na produção agropecuária dentro das fazendas, e continua com o transporte, armazenamento, industrialização, distribuição e comercialização dos produtos, até que cheguem às mãos dos consumidores em supermercados, bares, restaurantes, lojas e até postos de combustíveis. Soma-se a isso os serviços de vários profissionais das ciências agrárias e os do sistema financeiro.

Agronegócio interliga atividades rurais e urbanas, nas chamadas cadeias produtivas, ou cadeias de valor. No Brasil, o agronegócio é um dos principais setores da economia.

Entendeu o que é agronegócio? 

Pense na sua rotina diária. O agronegócio está presente nos lençóis da cama, no cafezinho, no pão, nas roupas de lã,  de seda, ou de algodão, no sapato de couro, no chinelo de borracha, na madeira da cadeira, no etanol que abastece os carros, no biodiesel que move os ônibus e os caminhões, na luva que protege as mãos dos médicos, no papel que usamos na escola, no trabalho…

Muita coisa, não é?

Imagine o que foi preciso fazer para produzir cada um desses produtos, e os caminhos que eles percorreram para chegar até você. Todos passaram por diversos processos.

Existe muito trabalho antes e depois de semear, plantar e colher. Esses processos, juntos, formam as CADEIAS PRODUTIVAS.

Mas o que é uma Cadeia Produtiva?

O Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Brasil define Cadeia Produtiva como: “o conjunto de atividades que se articulam progressivamente desde os insumos básicos até o produto final, incluindo distribuição e comercialização, constituindo-se em segmentos (elos) de uma corrente”.

Exemplos: a cadeia produtiva do café, que também pode ser chamada de agronegócio do café. Assim é também para a cana-de-açúcar, milho, soja, leite etc.

Veja o fluxograma abaixo:

Antes da porteira

Dentro da porteira

Depois da porteira

Consumidor final

Perceba que:

 

Da pesquisa à mão do consumidor, existe um complexo FLUXO DE ATIVIDADES.

No inverso, temos o FLUXO DE INFORMAÇÕES. O consumidor é quem dita o ritmo de crescimento de cada cadeia. Se ninguém compra, não há motivos para produzir.

São diversas as cadeias produtivas. Para cada produto da agropecuária existe um encadeamento de atividades diferente. Quanto mais organizada for a conexão entre cada etapa na produção, melhor será o fluxo de informações, e maiores serão as possibilidades de atender aos desejos e anseios dos consumidores.

 

E qual é o elo mais importante?

A produção, a industrialização, ou a distribuição? Pense em uma corrente. Se todos os elos forem reforçados e apenas um estiver fraco, a corrente vai se partir exatamente naquele ponto. Moral da história: nenhuma corrente (cadeia) é mais forte do que o seu elo mais fraco.

Pessoas

Como fazer com que os produtos do agro cheguem às mãos dos consumidores, em quantidade e qualidade suficientes?

Esta pergunta envolve dois conceitos importantes, o de Segurança Alimentar e o de Segurança do Alimento.

Segurança Alimentar

A traumática experiência da Primeira Guerra Mundial mostrou que um país poderia dominar o outro controlando seu fornecimento de alimentos. Segurança Alimentar  diz respeito à soberania e à capacidade que cada país tem de suprir as necessidades de sua população. Foi nesse período que ganhou força, em muitos países, a questão dos estoques estratégicos de alimentos. Vale a ressalva de que nem todos os países conseguem manter estoques, ou mesmo produzir tudo o que consomem. Daí a importância dos acordos comerciais, para permitir a importação e a exportação de produtos, para equilibrar oferta e demanda.

 

O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional - CONSEA - define Segurança Alimentar como o "direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras da saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis".

Segurança Alimentar está relacionada ao aspecto quantitativo, à oferta de alimentos em quantidade suficiente para suprir as necessidades nutricionais da população.

Segurança do Alimento 

Segurança do Alimento se refere à garantia da qualidade dos alimentos, para que não causem danos à saúde ou integridade dos consumidores. A Segurança do Alimento é consequência do monitoramento e controle de todas as etapas das cadeias produtivas, desde o campo até a mesa do consumidor.

CAPÍTULO 02 - Agricultura - Origem, Evolução e Agricultura Brasileira

Você sabe como surgiu a agricultura?

Essa história é antiga, começou há mais de 6.500 anos a.C.

No Período Paleolítico os homens eram nômades, e precisavam se deslocar em busca de comida, que era obtida por meio da caça e do extrativismo.

No período seguinte, o Neolítico, ou Idade da Pedra, o homem caçador-coletor tornou-se também produtor, e mudou a relação com o ambiente à sua volta. Com as novas habilidades desenvolvidas, ele passou a tirar parte de seu sustento da terra. Assim tiveram início as primeiras comunidades, estáveis e fixas.

O desenvolvimento da agricultura, portanto, favoreceu o surgimento das primeiras civilizações. Muitas delas nasceram nas proximidades dos grandes rios, como o Tigre, o Eufrates, e o Nilo. Nelas a agricultura evoluiu acompanhando o progresso da própria civilização. Ou seja, em associação direta com o surgimento de novas técnicas.

A consolidação da agricultura e a domesticação dos animais propiciou a permanência em um mesmo local, o convívio em sociedade, a melhoria da qualidade de vida e o aumento da população. Conforme a agricultura cresceu, aumentou o volume de produção e de excedentes, o que favoreceu o aparecimento das trocas, o que conhecemos hoje como comércio.

ilustração

Séculos mais tarde, em busca da ampliação de territórios e de poder, surgiram rotas comerciais e novas civilizações foram descobertas.

Conheça a origem de alguns produtos.

Batata

Originária dos Andes, na América do Sul, foi levada para a Europa em 1530. Apesar de ter alto valor calórico, e de ser relativamente fácil de ser produzida, levou mais de 200 anos para se popularizar e passar a ser consumida naquele continente. Chegou ao Brasil pelas mãos dos colonizadores espanhóis, sendo fonte de alimentação primária até o fim do século XIX.

 

 

Laranja

As laranjas doces foram trazidas da Ásia pelos portugueses logo após o descobrimento do Brasil, entre 1530 e 1540. Inicialmente foram plantadas na Bahia e em São Paulo. Hoje, de acordo com os dados da CitrusBR, Associação Nacional de Exportadores de Sucos Cítricos, de cada 10 copos de suco de laranja consumidos no mundo, 7 foram produzidos no Brasil.

 

 

Café

Originário da Etiópia, o café foi levado para a Arábia, depois para a Guiana Francesa, e chegou ao Brasil em 1727. Foi inicialmente plantado no Pará, depois Maranhão, Rio de Janeiro, e chegou ao Vale do Paraíba em 1825. Por ter encontrado clima e solo favoráveis, o cafeeiro se adaptou facilmente, iniciando um importante ciclo econômico.

O café sempre esteve entre os produtos mais importantes do Brasil. Atualmente o país é o 1º produtor e exportador, e o 2º maior consumidor mundial do produto.

Cana-de-açúcar

Nativa da Ásia, a cana-de-açúcar vem sendo cultivada no Brasil há cinco séculos. As primeiras mudas foram trazidas por Martim Afonso de Souza, em 1532, e plantadas em São Vicente, SP. Porém, foi na Região Nordeste que a cultura se multiplicou no período Colonial. A cana foi a primeira riqueza plantada, e marcou um importante ciclo econômico brasileiro (séculos XVI e XVII).

Atualmente a Região Centro Sul concentra a maior produção de cana (8,9 milhões dos 9,9 milhões de hectares plantados, ou 1,1% do território brasileiro*), e o maior e mais desenvolvido parque agroindustrial sucroenergético do país. O Brasil é o 1º produtor e exportador mundial de açúcar.

*Fonte: Conab, 2021.

História da borracha natural

 

A agricultura e a pecuária chegaram no Brasil, praticamente, de caravelas. Animais e vegetais, como frutas, hortaliças, cereais e leguminosas cruzaram os mares para alimentar os portugueses enviados para as terras da América.

Anos mais tarde, na época do Brasil Colônia, as grandes propriedades das Capitanias Hereditárias se dedicavam, principalmente, a uma só cultura. Neste período surgiram os engenhos de açúcar, com a utilização da mão-de-obra escrava vinda de países africanos.

No final do século XIX e começo do XX, a mão de obra dos imigrantes predominava nas grandes lavouras do Brasil. Elas produziam, principalmente, para a exportação. As pequenas propriedades, no entanto, produziam apenas para a subsistência.

Entrou também a ciência, a gestão, a diversificação de culturas e a mão de obra mais capacitada.

A evolução agropecuária, a partir da Revolução Verde [saiba +], foi um dos fatores que influenciou a pesquisa no Brasil para a produção agrícola no Cerrado brasileiro, bioma caracterizado pelo clima bem definido, relevo irregular e solos com baixa fertilidade. A tecnologia empregada possibilitou a abertura de novas áreas, anteriormente consideradas improdutivas. Segundo o presidente da Embrapa,  Celso Moretti, hoje a região responde por grande parte da produção brasileira de grãos, proteína animal, cana-de-açúcar, fibras, frutas e hortaliças.

Com o tempo, as práticas relacionadas

 

Com o tempo, as práticas relacionadas à conservação de recursos naturais, principalmente do solo e da água, foram adotadas. Também foram aprimoradas as relações de trabalho e a conscientização da necessidade de melhor organização da produção. As associações, cooperativas e sindicatos foram importantes para esta evolução.

Confira o vídeo da EMBRAPA sobre a história da Ciência e da Agricultura no nosso país:

Agronegócio brasileiro

As transformações ocorridas na agropecuária brasileira, nos últimos 50 anos, tiraram o nosso país da condição de importador de alimentos (na década de 1970) para a de um grande exportador, aliás o terceiro maior do mundo. A produção agropecuária do Brasil, além de atender às demandas da nossa população, também chega a mais de um bilhão de pessoas espalhadas pelo planeta.

Atualmente, a produção brasileira de grãos é exemplo de sustentabilidade para o mundo inteiro: da safra 1990/91 a 2020/21*, a produção brasileira de grãos cresceu 339%, enquanto a área plantada aumentou apenas 82%. Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Tudo isso graças às pesquisas e tecnologias empregadas e aos novos modelos de gestão.

O Brasil possui a mais avançada tecnologia para a agricultura tropical do mundo, e além disso conta com disponibilidade de terras, clima, água, recursos humanos bem formados e produtores competentes, inclusive na gestão das propriedades.

Você sabia?

Se o Brasil usasse hoje a mesma tecnologia disponível nos anos 1990, seriam necessários mais 97 milhões de hectares para atingir a atual produção.

Ou seja, foi evitada a abertura de novas áreas.  Isso é conhecido como desmatamento evitado.

No gráfico abaixo é possível perceber as diferenças entre as curvas de produção de grãos e da abertura de novas áreas, e, em vermelho, a quantidade de terra poupada com o aprimoramento da tecnologia usada no campo.

 

CAPÍTULO 03 - Ciência e Agro

A palavra CIÊNCIA deriva do latim scientia, que significa CONHECIMENTO.

A ciência está tão presente no dia a dia das pessoas que é difícil imaginar a vida sem ela. Foi o desenvolvimento científico e tecnológico, nos mais diversos segmentos, que trouxe as alternativas para satisfazer as necessidades do homem.

CIÊNCIA e TECNOLOGIA modificam, a todo instante, a trajetória da humanidade. Elas também foram, são, e serão fundamentais para o desenvolvimento da agricultura e da pecuária em todo o mundo.

O conhecimento, na antiguidade, vinha das experiências humanas sobre os fenômenos naturais. Assim foi descoberto o fogo, a alteração de sabor que o sal dos mares promovia nos alimentos, e a observação de que as plantas se desenvolviam a partir de sementes, de mudas, de fragmentos, entre outros.

Folha

Como é sabido, as plantas possuem clorofila, e por meio da fotossíntese, na presença de luz, água e sais minerais sintetizam o que precisam para se desenvolver.

Foi também a percepção humana que levou à conclusão de que as plantações nas margens dos rios, no Egito Antigo, produziam mais alimentos que as plantações nas zonas mais distantes. Foi  possível perceber que não apenas a água, mas os sedimentos deixados pelo transbordamento das águas, nas cheias dos rios, favoreciam o crescimento das plantas. Isso fez com que a ocupação dessas áreas fossem estimuladas.

O homem, dotado de inteligência, observou também que poderia desenvolver mecanismos para imitar a natureza. Assim, teve início a procura por meios que permitissem conduzir a água aos campos mais afastados. Com o uso de técnicas rudimentares, tangenciando várias áreas do conhecimento, surgiram os canais feitos de bambu, barro cozido ou pedras; as comportas; os túneis; os aquedutos e terraços, entre muitos outros mecanismos ainda primitivos, mas muito engenhosos. Esse foi o princípio do que hoje é conhecido como irrigação. 

Atualmente, os sistemas de irrigação inteligentes fornecem a quantidade ideal de água e nutrientes para as plantas, sem desperdícios e no momento certo para o melhor desenvolvimento das culturas.

Grandes pensadores, motivados a desvendar e compreender os fenômenos naturais em suas épocas, foram fundamentais para abrir os caminhos da ciência.

gene

Liebig, Darwin e Mendel, por exemplo, foram cruciais para a agricultura moderna. Suas descobertas científicas contribuíram para o avanço da produção agropecuária em todo o mundo. Insumos modernos, como os  corretivos e fertilizantes, sementes melhoradas, biotecnologia, transgenia, nanotecnologia, tecnologias reprodutivas, etc, tiveram como base os conhecimentos desses e de vários outros cientistas.

Justus von Liebig (1803 - 1873)

Foto: Wikimedia

Se no início a agricultura dependia da fertilidade natural do solo, tudo começou a mudar quando o químico alemão, Liebig, demonstrou que o crescimento das plantas dependia dos elementos químicos presentes no solo, e não do fato de a planta "comer" terra, como era o entendimento à época. Ficou claro que a adição de nutrientes, químicos ou orgânicos, possibilitariam o desenvolvimento das plantas mesmo em solos inférteis, ou substratos inertes. O solo, grosso modo, é importante para a fixação das plantas. Um exemplo que comprova a teoria de Liebig, é o cultivo hidropônico, no qual as plantas se desenvolvem sem a presença de solo. Nesse caso elas são fixadas em estruturas flutuantes ou esponjosas, e os nutrientes são carreados pela água.

Charles Darwin (1809 - 1882)

Foto: Wikimedia

O naturalista e biólogo, com seus estudos sobre a Teoria Evolutiva, defendeu a seleção natural como fator influenciador na evolução das espécies. A teoria ampliou as noções sobre a origem das espécies, porém não foi suficiente para explicar como surgiram as características hereditárias em cada geração.

Gregor Mendel (1822 - 1884)

Foi ele, ele, por meio de seu trabalho com a polinização de ervilhas, que descobriu e respondeu várias questões sobre a hereditariedade das espécies. O biólogo, manualmente, transferiu o pólen de uma planta pura para outra, técnica hoje chamada de hibridação. Ele é considerado o pai da genética. Seus estudos de seleção artificial explicaram como a seleção natural age sobre os seres vivos.

Confira o vídeo da EMBRAPA sobre Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN)

Com a Revolução Industrial, que teve início na Inglaterra Primeiro trator a gasolina, construído em 1892 na indústria de Froelich, nos EUA.

Com a Revolução Industrial, que teve início na Inglaterra a partir da segunda metade do século XVIII, parte da população deixou o campo rumo às cidades. Assim, os produtores rurais que permaneceram no campo tiveram que produzir mais, para alimentar as pessoas que foram morar nos centros urbanos. Foi necessário desenvolver implementos e máquinas mais eficazes para ajudar o homem a lavrar a terra. A força humana e a tração animal eram insuficientes para vencer a grande demanda por produtos agrícolas. Esse foi um dos grandes impulsos para a modernização da agricultura em todo o mundo. No Brasil esse movimento foi ainda mais intenso no início do século XX.

O aumento da demanda por alimentos deu origem a muitos questionamentos. Diante do crescimento populacional, qual seria a real capacidade de suprimento via produção agrícola?

Thomas Robert Malthus (1766-1834)

Em sua Teoria Malthusiana, o economista britânico defendeu a ideia de que a população sempre cresceria exponencialmente, enquanto a produção de alimentos aumentaria de forma aritmética (veja o gráfico abaixo). Assim, faltaria comida e o número de pobres aumentaria. Para ele a solução viria com o controle da natalidade.

 

Fonte: todamateria.com.br

O que Malthus não previu, no entanto, foi como o progresso técnico-científico seria capaz de melhorar a produtividade no campo. Graças às referências científicas de Liebig, Darwin, Mendel, e de inúmeros outros pesquisadores, o desenvolvimento tecnológico ganhou cada vez mais força. A medida que a ciência avança, toda a realidade se aprimora, seja na cidade, seja no campo. É exatamente dessa forma que o questionamento de Malthus tem sido respondido.

O desafio, então, é suprir a crescente demanda mundial por alimentos.

 

A ciência fez do brasil um importante produtor mundial de alimentos

O Brasil possui a mais avançada tecnologia para a agricultura tropical do mundo, e oferece essas soluções para serem utilizadas em outros países. Em algumas regiões, com o emprego de cultivos intensivos, e sempre respeitando o meio ambiente, é possível colher, na mesma área, até 3 safras de grãos por ano. Nos países temperados, de clima mais frio, com a presença de neve, é possível fazer apenas uma safra de grãos por ano.

As mudanças que ocorreram, e que ainda ocorrem no campo brasileiro só foram possíveis graças ao progresso técnico-científico que vem acontecendo desde 1887, quando o país ganhou o primeiro centro de pesquisa agrícola. 

Dom Pedro II Dom Pedro II

Dom Pedro II e o início da pesquisa científica para a agropecuária no Brasil

 

A pesquisa agropecuária em terras brasileiras teve início no século XIX, ainda no Brasil Império. O Imperador Dom Pedro II incentivou, por meio de bolsas de estudos, que os brasileiros buscassem conhecimento nas universidades europeias, para posteriormente desenvolver as ciências no Brasil.

O Imperador era um homem das artes e das ciências. Ele usou seu prestígio para elevar a imagem do Brasil, que despontava como referência nas Américas. Isso era tão evidente que Charles Darwin declarou: “O imperador faz tanto pela ciência que todo sábio é obrigado a demonstrar a ele o mais completo respeito”.

Nos últimos anos do Império o Conselheiro Antônio da Silva Prado, Ministro da Agricultura, aconselhou Dom Pedro II a implantar no Brasil uma estação de pesquisa nos mesmos moldes das europeias.

 

*Fonte: Dicionário do Brasil Imperial, publicado em 2002. - PEDRO KARP VASQUEZ.

Em 1887

 

 

Em 1887, D. Pedro II criou a Estação Agronômica no município de Campinas, SP, com o intuito de aprimorar as ciências agronômicas, em especial a do café, a mais importante cultura do Estado de São Paulo e do Brasil, à época. 

Em 1892 a Estação passou para a administração do Governo do Estado de São Paulo. Foi renomeada como Instituto Agronômico de Campinas, IAC. Teve, e continua tendo, uma atuação importante no desenvolvimento de pesquisas em alimentos, fibras e energia.

Hoje, com o nome de Instituto Agronômico, faz parte da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O IAC possui pesquisadores nas áreas de fitotecnia (plantas) e zootecnia (animais), em todas as regiões do estado. São 12 centros de pesquisa nos municípios de Campinas (7), Cordeirópolis (1), Jundiaí (2), Ribeirão Preto (1) e Votuporanga (1).

Você Sabia?

O feijão Carioca, aquele muito popular no prato do brasileiro, foi desenvolvido pelo IAC/Apta, em São Paulo.

O feijão recebeu esse nome porque se parecia com porcos rústicos malhados, conhecidos como carioca. Foi uma revolução na cozinha brasileira, pois o feijão carioca era mais macio que os feijões da época, e cozinhava em tempo muito menor. A pesquisa sobre o feijão carioca nunca parou de evoluir, e já foram lançados 50 cultivares. Os avanços aconteceram, principalmente,  em relação à produtividade e à qualidade nutricional do produto.

No Brasil, são muitas as instituições de pesquisas voltadas para o agro. Elas podem ser públicas ou privadas, ter vínculos com universidades brasileiras e internacionais, com governos municipais, estaduais e o federal. As instituições de pesquisa podem atuar isoladamente na busca de soluções para problemas locais, ou em grandes projetos de cooperação, para resolver problemas globais, como no caso de pandemias. Nessas circunstâncias são comuns as parcerias com organizações internacionais de Pesquisa & Desenvolvimento.

Muitas descobertas de pesquisas urbanas têm aplicação no campo, e vice versa. Não há limites para o alcance das ciências.

No Brasil os institutos estaduais de pesquisa, as universidades e as instituições privadas trazem, há mais de um século, grandes contribuições para a agropecuária. Mais recentemente surgiram as AgTechs, empresas de base tecnológica e de caráter inovador, as chamadas startups. Elas possuem em comum o DNA da inovação, e vieram para acelerar soluções para os problemas do agro moderno.

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA

 

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA

Como já foi visto, a ciência é essencial para superar obstáculos. Com esta premissa foi criada, em 1973, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa, que atualmente possui 43 centros de pesquisa em todas as regiões do país.

Em sua trajetória, a EMBRAPA foi responsável por superar as barreiras que limitavam a agricultura em região tropical. As pesquisas propiciaram inovações que permitiram tanto produzir em terras antes consideradas impróprias, como a região do Cerrado, quanto para adaptar algumas culturas ao Brasil, como a soja e o trigo. São inovações trabalhadas em temas estratégicos para o país, para responder às necessidades da nossa agropecuária.

Tecnologias no Agro

O Sistema de Plantio Direto Uso de plantio direto na produção de milho. Foto: Fundação ABC

 

O Sistema de Plantio Direto surgiu da necessidade de combater e evitar a erosão no campo. Há mais de 30 anos prova ser uma prática importante, adaptada aos diferentes níveis tecnológicos e regiões. Neste sistema a superfície do solo é mantida coberta com resíduos de culturas anteriores (palha e/ou vegetação dessecada) utilizando-se muito menos etapas mecanizadas para o plantio. O resultado é o controle do escorrimento superficial da água da chuva, a menor compactação do solo, e a melhora da infiltração, o que reduz a ação erosiva. Como é empregado o cultivo mínimo, ou seja, não é feito o revolvimento com aração e gradagem, o carbono contido no solo fica retido, reduzindo a emissão de gases causadores de efeito estufa.

Saiba mais sobre Plantio Direto:

*O Plantio Direto é realizado em 50% da área de produção de grãos no Brasil, ou seja, em 33 milhões de hectares.  

*Fonte: Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação, 2018.

Rotação de Culturas

Rotação de Culturas

Esta prática consiste em alternar, em uma mesma área, diferentes espécies vegetais em determinado espaço de tempo e de forma ordenada. Daí o nome "Rotação de Culturas".

A rotação melhora as características físico-químicas do solo, pois cada cultura possui uma necessidade nutricional e um sistema radicular (raízes) diferentes, portanto cada espécie deixa um efeito residual positivo no solo disponível para a cultura sucessora. Essa rotação possui melhores resultados quando há alternância entre gramíneas e leguminosas.

Na região de Ribeirão Preto a rotação entre a cana-de-açúcar e outras culturas acontece desde os anos 1970. Começou com a Coplana, Cooperativa dos Produtores de Cana de Guariba, que utilizou uma planta pouco conhecida por aqui à época, a soja. 

A cada final de ciclo da cana-de-açúcar, que em média acontece depois de 6 safras, ocorre queda da produtividade e é necessário renovar o canavial. Neste momento, muitos produtores optam pela rotação de culturas, intercalando após a colheita da cana, que é uma gramínea, o plantio de uma leguminosa, sendo que as mais comuns na região são a soja, o feijão e o amendoim, e o girassol, que é uma oleaginosa. Após a colheita dos grãos, a cana é plantada novamente. Essa prática melhora a qualidade nutricional e a porosidade do solo, e, consequentemente, a produtividade da nova safra de cana-de-açúcar.

Além dos pontos positivos apresentados, a rotação de cultura permite que mais alimentos sejam produzidos em áreas ocupadas com canaviais, e destinadas à produção de açúcar, que também é um alimento, e de etanol e bioeletricidade, energias limpas e renováveis.

Biotecnologia Fonte: BORZANI, 2001

 

 

Biotecnologia

Segundo a Convenção sobre Diversidade Biológica, tratado internacional da ONU sobre proteção e uso da diversidade biológica dos países signatários, BIOTECNOLOGIA significa: “Qualquer aplicação tecnológica que utilize sistemas biológicos, organismos vivos, ou seus derivados, para fabricar ou modificar produtos ou processos para usos específicos”.

Principais usos da Biotecnologia:

Na agricultura:

Melhoramento genético de plantas e animais, organismos geneticamente modificados (OGM ou transgênicos), fertilizantes, agroquímicos, etc.

 

 

 

 

 

 

Nos alimentos:

Biofortificação, conservação, introdução de compostos funcionais (exemplos: antioxidantes, antiinflamatórios, nutricionais) etc.

 

 

 

 

 

 

Na indústria:

Enzimas, biossensores, biocombustíveis, tecidos, biocatalizadores, etc.

 

 

 

 

 

 

 

 

Nos medicamentos:

Insulinas, hormônios, antibióticos, vacinas, etc.

 

 

 

 

 

 

 

 

No meio ambiente:

Purificação de água, tratamento de resíduos sólidos e líquidos, esgoto, lixo, etc.

Transgenia

Transgenia

Transgênico é sinônimo para a expressão "Organismo Geneticamente Modificado" (OGM). É um organismo que recebeu um gene de outro organismo doador. A transgenia difere do melhoramento genético convencional, pois permite transferir características específicas entre espécies diferentes. Com ela os cientistas podem isolar genes de microrganismos, por exemplo, e transferi-los para plantas. Dessa maneira, ela passa a ter, a partir da alteração do seu DNA, uma característica que não tinha antes.

Na agricultura, a transgenia pode contribuir para o aumento da produtividade (produzir mais em menos área) e para a diminuição do uso de agroquímicos.  A ciência vem permitindo a introdução de outras características desejadas, como: resistência à seca, às pragas e doenças; tolerância a herbicidas, inseticidas e outros agroquímicos. Outros exemplos de usos da ciência são o desenvolvimento de alimentos funcionais, por exemplo com mais fibras, proteínas, e vitaminas, e de medicamentos.

Fonte: Embrapa

Algumas aplicações: Mosaico dourado / Pesquisa com soja
Algumas aplicações:

O feijão, por exemplo, alimento muito presente na mesa do brasileiro, é amplamente afetado por um vírus chamado mosaico dourado, capaz de causar perdas de até 100% nas lavouras. Para solucionar esse problema, pesquisadores da Embrapa fizeram uso de engenharia genética, para desenvolver um método baseado na introdução de fragmentos do vírus na planta de feijão. Dessa forma é ativado o sistema imunológico, e a planta fica imune ao mosaico dourado. Esse método é muito parecido ao uso de vacinas para prevenção de doenças em seres humanos.

A tecnologia empregada no desenvolvimento de medicamentos tem muitas vertentes. Uma pesquisa com sementes de soja, por exemplo, foi baseada na introdução da cianovirina, uma proteína presente em algas, que é capaz de impedir a multiplicação do vírus HIV no corpo humano. Os estudos com as sementes de soja, geneticamente modificadas, comprovaram a eficácia da cultura para a produção, em larga escala, dessa proteína. O trabalho, realizado em parceria entre a Embrapa e instituições internacionais, foi tema de artigo na revista Science em 2015, e recebeu premiações internacionais em 2017 e 2018.

A produção de transgênicos é uma atividade legal e legítima, regida por legislação específica e pautada por rígidos critérios de biossegurança. Um produto geneticamente modificado só pode ser comercializado se estiver de acordo com a Lei de Biossegurança (Lei nº 11.105, de 24 de março de 2005), e uma das mais rigorosas do mundo. A lei regula por inteiro a cadeia produtiva, cobrindo, desde a construção, experimentação, cultivo, manipulação, transporte, comercialização, consumo, armazenamento, liberação no meio ambiente até o descarte de organismos geneticamente modificados (OGM) e derivados. Somente depois de analisado e aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, o produto vai para o mercado. Este processo pode levar até 10 anos de pesquisa.

Nanotecnologia

Nanotecnologia

É um conjunto de atividades ou mecanismos de alta tecnologia que ocorrem em uma escala extremamente pequena, além da percepção dos olhos humanos, chamada nanométrica (um nanômetro é a bilionésima parte de um metro).

A nanotecnologia é amplamente utilizada na fabricação de semicondutores e circuitos integrados - chips. Ela ajudou a diminuir o tamanho dos computadores, celulares, e está presente em medicamentos e produtos de beleza. Um bom exemplo são os filtros solares, que por meio de nanopartículas ganham atributos de maior resistência, proteção e durabilidade sobre a pele.

Agricultura de Precisão

Agricultura de Precisão

Agricultura de Precisão

A Agricultura de Precisão é um conjunto de boas práticas que emprega alta tecnologia  para tornar a atividade mais racional e produtiva.

As teorias sobre agricultura de precisão surgiram no final década de 1920, nos Estados Unidos. Mas foi só a partir dos anos 1980 que elas se tornaram aplicáveis, graças aos avanços dos sistemas de geolocalização e à coleta eletrônica de dados.

A agricultura de precisão possibilita o monitoramento e a otimização da gestão da propriedade rural, sempre no sentido de oferecer informações para orientar e potencializar a produtividade, com reflexos positivos na preservação do meio ambiente. Isso se deve à maior assertividade das decisões, o que permite alcançar melhores resultados em todos os aspectos. Todo esse gerenciamento e controle podem ser feitos por meio de sistemas integrados de georreferenciamento, utilização de softwares e hardwares de alta tecnologia, mas dependem de uma boa interpretação dos dados levantados, de modo que a inteligência e o conhecimento humano continuam sendo vitais em todo esse processo.

Se no princípio a agricultura de precisão era limitada à mecanização de processos, com a incorporação dos computadores de bordo, atualmente ela alcançou outro patamar.

Já é possível gerar e cruzar informações

 

Já é possível gerar e cruzar informações de mapas de fertilidade de solos, com o de produtividade no momento da colheita, e calcular, por metro quadrado, a necessidade de adição de adubos e corretivos a serem aplicados para a safra seguinte. 

Da mesma maneira, muitas outras funcionalidades e alertas são oferecidos em tempo real. Com essas informações as operações de plantio, dos tratos culturais e da colheita passaram a ser mais precisas. Fertilizantes e defensivos são aplicados em taxas variáveis, precisamente, no local e na quantidade necessária. Isso contribui para a sustentabilidade do setor, pois reduz não apenas os custos, como também eventuais impactos negativos ao meio  ambiente e à saúde dos operadores.

Conheça mais no vídeo abaixo:

Agricultura 4.0

A agricultura 4.0 acrescenta às estratégias da agricultura de precisão um conjunto de tecnologias digitais de ponta, integradas e conectadas por meio de softwares, sistemas e equipamentos capazes de otimizar a produção agrícola. Até o controle de desempenho das máquinas pode ser calculado e simulado. Por exemplo, é possível calcular o local exato onde os veículos de apoio da propriedade devem se posicionar para abastecer plantadoras, colhedoras e outras máquinas com combustível e insumos (sementes, fertilizantes, corretivos etc). É possível também posicionar, no campo, o pessoal da manutenção, para intervir antes que algum defeito mecânico se manifeste, comprometendo a continuidade do trabalho do equipamento e evitando danos maiores ao maquinário.

Recursos computacionais de alto nível tecnológico, sensores, comunicação entre máquinas (M2M), armazenamento de informação na nuvem, técnicas de análise e conectividade entre dispositivos móveis são algumas ferramentas utilizadas na agricultura 4.0.

Veja abaixo o documentário da Embrapa: "Mudanças que trasformam a vida".

CAPÍTULO 4 - Agricultura Brasileira - Diversa, Plural e Sustentável

 

      

Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) elencam o Brasil em posição de destaque para prover a segurança alimentar mundial.

A FAO aponta que o planeta terá 9,7 bilhões de habitantes em 2050. O Brasil, sozinho, de acordo com essas pesquisas, terá condições para elevar sua produção em 41%, e atender à expectativa de ampliação da oferta de alimentos, energia e fibras.

USDA – Projeção da Produção de Alimentos até 2026/27

 

Disponibilidade de terras produtivas em diversos países, e áreas ocupadas com agricultura

 

Campo

Modos de produção com diversidade: o Brasil tem espaço para todos

A agricultura é mais diversa do que a maioria das pessoas Fonte: Banco de Imagens (Pixabay)

A agricultura é mais diversa do que a maioria das pessoas pode imaginar, afinal não existe apenas uma forma de se produzir alimentos. Até podemos dividir entre sistema de produção extensivo e intensivo, no entanto, dentro de cada um desses sistemas, diferentes práticas de manejo podem ser empregadas.

A produção agrícola passa por modificações rápidas em resposta às mudanças nos custos de produção, demandas dos consumidores e preocupações com a segurança alimentar, segurança e impacto ambiental.

Isso faz com que a diversidade dos modos de produção no Brasil seja grande. 

Embora a agricultura não seja uniforme em todo o país, é a atividade mais difundida e pode ser classificada com base no tipo de cultura, escala, intensidade do cultivo, nível de mecanização, sistemas integrados de produção, entre outros.

Os diferentes modos de produção agrícola estabelecem configurações de cultivo que se baseiam nas condições do ambiente e são adequados às características e necessidades da produção e dos agricultores.

Os pesquisadores classificaram os modos de produção de acordo com sua expansão, disponibilidade de água, padrão de cultivo, volume de produção, variações sazonais, concentrações regionais, sistema social, propriedade da terra etc. Em alguns casos, pode haver sobreposição dos tipos, dificultando sua classificação. No entanto, vamos apresentar aqui os principais modos de produção praticados no Brasil.

A agropecuária brasileira passou por uma verdadeira revolução nos últimos 50 anos. Essa transformação foi possível graças à ciência e ao aprimoramento da gestão. A primeira levou ao desenvolvimento de tecnologias e processos inovadores, e a segunda ampliou a percepção da necessidade de melhoria contínua, seja nas boas práticas agropecuárias, seja na administração dos negócios. O resultado foi a ampliação da competitividade do agronegócio brasileiro como um todo.

Exportações do Agronegócio

Exportações do Agronegócio

 

O Brasil é, desde o século XVI,  mundialmente reconhecido por sua produção de café e açúcar. Mas foi no século XX que o país despontou com a produção, em grande escala, de outros alimentos, fibras e energia. Atualmente o agronegócio brasileiro não apenas é capaz de abastecer o mercado interno, como também exporta para mais de 180 países. Mais de 1,2 bilhão de pessoas em todo o mundo se alimentam com produtos “produzidos no Brasil”.

No ano 2000, o Brasil  concentrava suas exportações (59,4%) para os mercados americano e europeu. A produção brasileira foi ficando mais competitiva e o país, em menos de 20 anos, conseguiu alcançar outros mercados. Em 2020 UE e EUA representaram 23% das exportações, e apesar de o percentual ter diminuído, o volume de negócios aumentou, pois o valor total exportado em 2000 foi de US$ 20,6 bi, e em 2020: US$ US$ 100,81 bi.

O fato de o Brasil ser um grande exportador de alimentos, muitas vezes dá margem para a impressão de que o país fica desabastecido. No Quadro abaixo está demonstrado que a maior parte da produção brasileira é consumida internamente, e o excedente é exportado. Na produção de frango, por exemplo, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial, com 13,8 milhões de toneladas. No entanto é o primeiro exportador, sendo que o volume exportado representa 27% da produção.

Agronegócio Competitividade Mundial

Fonte: USDA/2021, Elaboração: CNA

Agricultura orgânica

Agricultura orgânica

A agricultura orgânica é um conjunto de práticas agrícolas que se concentram no cultivo de alimentos utilizando, preferencialmente, produtos não sintéticos. É considerado um sistema de produção que visa evitar o uso de tecnologias como transgênicos, pesticidas sintéticos, fertilizantes químicos e reguladores de crescimento das plantas.

A agricultura orgânica é um dos temas que fazem parte da agroecologia, uma forma de agricultura que retoma às concepções agronômicas anteriores à chamada Revolução Verde.

Agricultura familiar e de subsistência

Agricultura familiar e de subsistência

Uma outra forma de produzir, que tem um caráter social também importante é a agricultura familiar. Constituída de pequenos produtores rurais, povos e comunidades tradicionais, assentados da reforma agrária, silvicultores, aquicultores, extrativistas e pescadores. 

Segundo os dados apresentados no Censo Agropecuário de 2017, das mais de 5 milhões de propriedades rurais avaliadas em todo o Brasil, o censo mostra que 77% dos estabelecimentos agrícolas do país são classificados como agricultura familiar. Essas propriedades correspondem a 23% da área de todas as propriedades agropecuárias do Brasil, o que chega a quase 15,3 milhões de hectares. No último censo, a agricultura familiar brasileira movimentava mais de 490 milhões de reais em todo o país e conta com mais de 10 milhões de pessoas trabalhando.

A agricultura familiar é um sistema onde a organização e controle da propriedade é compartilhada pela família. Além disso, a atividade produtiva agropecuária tem que ser a principal fonte de renda. Fazendo com que o agricultor familiar tenha uma relação íntima com a terra, que além de ser seu local de trabalho é também sua moradia.

O setor se destaca pela produção de milho, mandioca, pecuária leiteira, gado de corte, ovinos, caprinos, olerícolas, feijão, cana, arroz, suínos, aves, café, trigo, mamona, fruticulturas e hortaliças. A diversidade produtiva é uma característica marcante desse setor, pois muitas vezes alia a produção de subsistência a uma produção destinada ao mercado.

Sistema agroflorestal (agrossilvicultura)

Fazenda Painel, Cravinhos. Créditos : Instituto Nova Era

 

Sistema agroflorestal (agrossilvicultura)

Esse sistema concentra algumas atividades agrícolas em um mesmo espaço, ao mesmo tempo. É o uso da terra e tecnologias em que plantas perenes (árvores, arbustos, palmeiras, bambus etc.) são mantidas no mesmo espaço de manejo da terra com culturas anuais e/ou animais. Isso de forma alternada e em uma sequência ao longo do tempo.

Os sistemas agroflorestais (SAFs) ou agroflorestas apresentam maior facilidade de recuperação da fertilidade dos solos, fornecimento de adubos verdes, controle de ervas daninhas, entre outros.

Ainda, em SAFs existem interações ecológicas e econômicas entre os diferentes componentes. Em particular, a agrossilvicultura é importante para os pequenos agricultores e outros participantes da zona rural porque pode melhorar seu suprimento de alimentos, renda e saúde. Mas, nada impede de haver médios ou grandes produtores que também adotem esse modo de produção. 

 

O Brasil e o uso dos agroquímicos Foto: Comunicação Social - Sistema FAEP/SENAR-PR

O Brasil e o uso dos agroquímicos

 

Se por um lado o clima tropical permite ao Brasil a produção de mais de uma safra por ano, ou a colheita de mais de um produto na mesma área, no mesmo ano, ele facilita a ocorrência de problemas fitossanitários, como pragas e doenças. Em países de clima temperado, as variações extremas de temperatura ajudam a quebrar os ciclos das pragas. Quando os cultivos são atacados, é necessário dobrar a atenção, fazer monitoramento constante e, se necessário, combater os agentes causadores dos prejuízos. Esse controle pode ser feito com o emprego de produtos químicos ou biológicos.

Controle Biológico Inimigas naturais importantes, vespinhas parasitam ovos que dariam origem às lagartas. Foto: Embrapa

Controle Biológico

A primeira forma de controle biológico relatada remonta ao século III antes de Cristo, na China, com a utilização de formigas da espécie Oecophylla smaragdina para controlar pragas dos citros.

O controle biológico busca controlar as pragas agrícolas e os insetos transmissores de doenças usando inimigos naturais ou introduzidos, como: insetos benéficos, predadores, parasitóides, e microrganismos, como fungos, vírus e bactérias. É um método que ajuda a diminuir a necessidade do uso de defensivos agrícolas. Ainda não existe controle biológico para combater todas as pragas e doenças das culturas, e por vezes, o nível de infestação impede que a técnica seja aplicada.

O uso desta tecnologia está crescendo cerca de 20% ao ano, e é considerada uma das bases da agricultura 4.0, com o uso de aplicadores via drones, e o surgimento de laboratórios de Manejo Integrado de Pragas em todo o território nacional.

Na cana-de-açúcar, por exemplo, o controle da broca da cana, praga que causa danos e grandes prejuízos à cultura,  é feito com a soltura de uma vespinha, um inimigo natural que parasita o corpo da lagarta que perfura os colmos da cana. Essa tecnologia é largamente aplicada, assim como o emprego de outros defensivos de base biológica, em diversas outras culturas.

Controle Químico Foto: Senado Federal

Controle Químico

Para determinadas pragas e doenças é necessária a aplicação de produtos químicos. Ao longo da história, no entanto, as pesquisas estão avançando no sentido de desenvolver produtos mais eficazes, seletivos e de menor toxicidade para os homens, os animais, e para o meio ambiente . Daí a necessidade de mais investimentos em pesquisas, e de reduzir a burocracia e os custos para a aprovação de moléculas mais modernas e seguras.

A indicação de aplicação de agroquímicos é feita por meio do receituário agronômico, assim como os medicamentos devem ser consumidos apenas com prescrição médica. Esse receituário agronômico, emitido por profissional das ciências agrárias, também traz informações importantes, como período de carência, ou o tempo que é necessário esperar depois da aplicação, para que as partículas se degradem e os produtos sejam seguros para o consumo; as orientações para o caso de vazamentos ou acidentes com pessoas ou animais; e as orientações para a destinação final das embalagens vazias.

É falsa a informação de que o Brasil é o maior usuário de agroquímicos do mundo

É falsa a informação de que o Brasil é o maior usuário de agroquímicos do mundo

 

Pesquisadores da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Campus de Botucatu, liderados pelo Professor Dr. Caio Carbonari, publicaram um levantamento e demonstraram que o Brasil usa defensivos agrícolas em apenas 8% de seu território, enquanto outros países fazem uso em 50, 60 e até 70% do território. Apesar do Brasil ser apontado como o maior usuário de agroquímicos do mundo, é preciso fazer a comparação de forma correta. O país fica em 7º lugar se for considerada a quantidade de produto aplicada em relação à extensão de terras cultivadas; e se a análise for feita pelo volume de produto aplicado em relação à quantidade de alimentos produzida, o Brasil fica em 11º lugar no ranking mundial do uso de agroquímicos.

Destinação final de embalagens vazias de agroquímicos Fardos de embalagens vazias de defensivos agrícolas para envio à reciclagem na Central de recebimento. Foto: INPEV

Destinação final de embalagens vazias de agroquímicos

 

O setor agropecuário brasileiro recicla 94% das embalagens vazias de agroquímicos. Isso torna o Brasil referência mundial em destinação final, racional e adequada destes resíduos. Os empresários praticam, no campo, uma logística reversa que é fonte de inspiração para outros países. Esse exemplo poderia ser seguido para a reciclagem de resíduos sólidos gerados nas áreas urbanas. Neste processo, cada parte tem sua responsabilidade.

Conheça os deveres dos produtores, dos canais de distribuição e das indústria no vídeo abaixo:

Agricultura de Baixo Carbono

Agricultura de Baixo Carbono

 

A chamada descarbonização da agropecuária é uma tendência mundial, principalmente em função da busca pela diminuição das emissões de gases de efeito estufa. Essa tendência não é novidade, nem para a agricultura, nem para a pesquisa científica brasileira.

Biocombustíveis

Biocombustíveis

A dimensão geográfica do Brasil permite que a produção de alimentos não dispute áreas com a produção de biomassa para a geração de energia. Os biocombustíveis, limpos e renováveis, emitem menos gases causadores do efeito estufa (indutores das mudanças climáticas) quando comparados aos combustíveis de origem fóssil.

Biodiesel Foto: Agência Senado

Biodiesel

Combustível obtido a partir de matérias-primas vegetais ou animais.

  • Vegetais: fontes derivadas de óleos vegetais, como: soja, mamona, colza (canola), palma (dendê), girassol, pinhão manso, amendoim, etc. Os óleos utilizados em frituras (cocção) também podem ser transformados em biocombustíveis.
  • Animal: sebo bovino, gorduras (suínos, aves e outros).
Etanol Foto: Flickr

Etanol

Considerado o melhor substituto da gasolina, este biocombustível pode ser produzido a partir de cana-de-açúcar, cereais, celulose e outras matérias-primas. 

Você sabia que o uso do etanol tem contribuído para a saúde do brasileiro?

Por ter combustão limpa, o etanol evita a dispersão de substâncias prejudiciais à saúde, como o material particulado fino (MP 2.5), comum nos combustíveis fósseis, substância que pode penetrar profundamente nos pulmões. O uso desse biocombustível tem evitado milhares de mortes e internações por doenças respiratórias e cardiovasculares no Brasil. 

Comparando São Paulo com cidades do mesmo porte é possível medir a diferença na emissão do material particulado fino.  Em Nova Déli, na Índia, por exemplo, a média do MP 2.5, em 2019, foi de 99 µg/m³, segundo o iQAir. Na Região Metropolitana de São Paulo, por sua vez, a média naquele ano foi cinco vezes inferior (17 µg/m³), e dentro dos limites recomendados pela Organização Mundial de Saúde, de 20 µg/m³ de MP 2.5.

Fonte: Unica, 2020.

CAPÍTULO 5 - Meio Ambiente - A Preocupação Ambiental no Mundo e no Brasil

A visão sobre o meio ambiente no mundo Fonte: Pixabay

 

A visão sobre o meio ambiente no mundo

As grandes discussões sobre o meio ambiente começaram, na Europa, em meados do século XX, após a Segunda Grande Guerra. Mas foi só a partir da década de 1970 que a questão ganhou o mundo, e começou a ser incluída em instâncias políticas, sociais e econômicas.

A Conferência das Nações Unidas, ocorrida em Estocolmo, em 1972, foi o marco da disseminação da consciência ambiental. Nela, o estudo “Os Limites do Crescimento”, patrocinado pelo Clube de Roma*, e realizado por especialistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology), foi discutido e vários conceitos acabaram consolidados, como o princípio da precaução e o das responsabilidades comuns e diferenciadas.

A consciência ambiental passou, então, a ser considerada nas questões relativas ao desenvolvimento econômico, o que fez o tema entrar definitivamente para a agenda internacional.

 

Fonte: ECOA

 

Uso Restrito: pantanais (áreas alagadas), planícies pantaneiras (Bioma), e áreas com inclinação entre 25º e 45º  têm restrições de uso. São áreas sensíveis cuja exploração requer a adoção de boas práticas agropecuárias e florestais.

 

ODS
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - ODS

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - ODS

 

A Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, realizada em setembro de 2015, em Nova York, encerrou a discussão lançada na Rio+20 com a adoção do documento “Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”. O Brasil participou ativamente da construção desse documento, em defesa do legado da Rio+20.

Na Agenda 2030 estão os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com 169 metas que deram impulso a uma corrida global pela sustentabilidade. Esses objetivos têm como base a premissa de “pensar globalmente e agir localmente”. Essa possibilidade de ação local é a aposta da ONU para um mundo melhor em 2030.

 

Compreenda as dimensões do desenvolvimento sustentável:

 

Em sua essência, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estão intimamente conectados uns aos outros. Suas metas e métricas possuem interligações de causa e efeito. Por exemplo, o Objetivo 03: Saúde e Bem-estar depende muito do Objetivo 06: Água Potável e Saneamento. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em levantamento de 2017, mostrou que 34,7% dos municípios brasileiros registraram doenças relacionadas à falta de tratamento de esgoto e aos problemas com o acesso à água potável.

Segundo o documento oficial da ONU, o Objetivo 01: Erradicação da Pobreza e o Objetivo 02: Fome Zero e Agricultura Sustentável são os maiores desafios globais, e requisitos indispensáveis para alcançar o desenvolvimento sustentável.

O que já foi apresentado nos capítulos anteriores mostra como o agronegócio brasileiro é um grande aliado para as conquistas das metas dos ODS. 

Exemplos não faltam:

  • ampliação da produção de alimentos via aumento da produtividade, ou seja, sem aumentar, na mesma proporção, a ocupação de terras;
  • a maior parte das áreas incorporadas nos últimos 30 anos era anteriormente usada com pastagens, e foi convertida em agricultura, evitando o desmatamento;
  • diminuição do preço da cesta básica, reduzindo os gastos das famílias com alimentação, em virtude de aumento da oferta de produtos, graças à maior eficácia na produção de alimentos;
  • implementação de sistemas integrados de produção;
  • pioneirismo na geração de energia limpa e renovável (bioeletricidade e etanol), em grande escala, com o uso de biomassa, principalmente de cana-de-açúcar;
  • pioneirismo na destinação final de embalagens vazias de agroquímicos, com virtuoso processo de descontaminação e reciclagem que se tornou exemplo mundial;
  • emprego de sistemas eficientes de irrigação;
  • manejo eficaz dos recursos naturais, com emprego de alta tecnologia, entre outros.

 

 

A ampliação da sustentabilidade é meta permanente de todos os elos das cadeias produtivas do agronegócio brasileiro.

 

Agricultura e a cobertura vegetal nativa no Brasil e no mundo

 

Levantamento feito pela Embrapa Territorial, uma das unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, mostra que dos 851 milhões de hectares do território brasileiro, 66,3% estão cobertos por vegetação nativa. A agricultura ocupa 7,8% para a produção de grãos, frutas, hortaliças e culturas perenes, 1,2% é ocupado pelas  florestas plantadas; 21,2%, por pastagens,  sendo 8% nativas e 13,2% plantadas. Ou seja, agricultura e pecuária, juntas, ocupam 30,2%, ou 257 milhões de hectares.

Os outros 3,5% do território brasileiro abrigam os centros urbanos, a infraestrutura e outros. 

Veja  detalhes do uso e ocupação das terras no Brasil na figura a seguir.

 

Infográfico “Uso e Ocupação de terras no Brasil”

 

 

A NASA, agência espacial norte-americana, confirmou os números da Embrapa. A agência, em conjunto com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) realizou, durante duas décadas, um amplo levantamento, com o mapeamento por satélites e cálculo das áreas cultivadas em todo o planeta. É sabido que 75% do planeta Terra são cobertos por água, e 25% por terra.  O estudo, publicado em novembro de 2017, revelou que desses 25%, que correspondem a 13,4 bilhões de hectares, cerca de 1,87 bilhão de hectares são ocupados por lavouras. No caso do Brasil, foi demonstrado  que apenas 7,6% do território são ocupados pela agricultura. A maior parte dos países utiliza entre 20% e 30% do território para produção agrícola. Os países da União Europeia usam entre 45% e 65%. Os Estados Unidos, 18,3%; a China, 17,7%; e a Índia, 60,5%. 

Segundo a Embrapa Territorial, as áreas dedicadas à proteção e à preservação da vegetação nativa no Brasil equivalem a 28 países da Europa: Irlanda, Reino Unido, Portugal, Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Áustria, Itália, Holanda, Eslovênia, Dinamarca, Noruega, Suécia, Grécia, Bósnia e Herzegovina, Eslováquia, Eslovênia, República Tcheca, Polônia, Romênia, Bulgária, Chipre, Letônia, Lituânia, Estônia e Finlândia.

Somente as áreas dedicadas à preservação da vegetação nativa nos imóveis rurais brasileiros equivalem a 10 países da Europa: Irlanda, Reino Unido, Portugal, Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Áustria e Itália.

 

O produtor rural e a preservação ambiental

O aumento da produtividade agrícola e pecuária no Brasil evitou a abertura de novas áreas, como já apresentado anteriormente, sempre respeitando as normas para o uso das terras, que são regidas pelo Código Florestal Brasileiro.

Além do Código, existem milhares de legislações ambientais federais e estaduais, que se sobrepõem e até se contradizem. De qualquer maneira, os agricultores brasileiros são, acima de tudo, os maiores responsáveis pela preservação ambiental no país, pois dos 66,3% da vegetação nativa existente no Brasil, 26% estão dentro das propriedades rurais privadas, como pode ser comprovado pelo Cadastro Ambiental Rural - CAR. (EMBRAPA, 2020)

Dos 851 milhões de hectares do território brasileiro, cerca de 66,3% ou 631.758.477 hectares estão cobertos por vegetação nativa.

Segundo a Embrapa Territorial, as áreas dedicadas à proteção e à preservação da vegetação nativa no Brasil equivalem a 28 países da Europa: Irlanda, Reino Unido, Portugal, Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Áustria, Itália, Holanda, Eslovênia, Dinamarca, Noruega, Suécia, Grécia, Bósnia e Herzegovina, Eslováquia, Eslovênia, República Tcheca, Polônia, Romênia, Bulgária, Chipre, Letônia, Lituânia, Estônia e Finlândia.

Somente as áreas dedicadas à preservação da vegetação nativa nos imóveis rurais brasileiros equivalem a 10 países da Europa: Irlanda, Reino Unido, Portugal, Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Áustria e Itália.

 

Legislação Ambiental Brasileira

Legislação Ambiental Brasileira

 

O primeiro Código Florestal brasileiro foi promulgado em 1934, e não teve motivação ambiental propriamente dita, ou seja, a intenção foi manter reserva de madeira para gerar energia futuramente. A Lei surgiu em meio à forte expansão cafeeira, e visava impedir os efeitos sociais e políticos negativos causados pelo aumento do preço, ou pela escassez de lenha. Os proprietários de terras foram obrigados a manter 25% da cobertura florestal nativa existente em suas propriedades.

Somente em 1965, com a aprovação do Novo Código Florestal, teve início a maior atenção com os assuntos relacionados ao meio ambiente no Brasil, ou seja, proteger os diferentes biomas. 

Em 1981 o Brasil instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente por meio da Lei nº 6.938/81 que dispôs sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, e instituiu o Sistema Nacional do Meio Ambiente.

Nos 30 anos seguintes, em vista da pressão da sociedade para assuntos relacionados às questões ambientais, houve diversas iniciativas de governos, em várias esferas, que culminaram com a aprovação de medidas provisórias, leis municipais, estaduais, federais, além de decretos, portarias, resoluções  e normas, sempre intencionadas no regramento do uso e ocupação das terras, mas que trouxeram muita insegurança jurídica para o campo. 

Em 2012, depois de quase duas décadas de discussões, foi aprovado um (novo) Código Florestal, Lei 12.651, que  estabeleceu normas gerais sobre a Proteção da Vegetação Nativa, incluindo Áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal e de Uso Restrito; a exploração florestal, o suprimento de matéria-prima florestal, o controle da origem dos produtos florestais, o controle e prevenção dos incêndios florestais; e a previsão de instrumentos econômicos e financeiros para o alcance de seus objetivos.  Vale salientar que o Código Florestal é a legislação mais rígida em todo o mundo, e nenhum país possui nada semelhante em termos de preservação, proteção e conservação ambiental.

Apesar do caráter amplo e aparentemente definitivo, houve questionamentos jurídicos que se perpetuam até hoje, gerando insegurança para produtores e proprietários rurais.O resultado é que ainda temos um emaranhado legal que precisa ser revisto, amplamente discutido e modernizado.

 

Cadastro Ambiental Rural (CAR)

 

Cadastro Ambiental Rural (CAR)

Uma das inovações da Lei foi a criação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), e a previsão de implantação do Programa de Regularização Ambiental (PRA) nos Estados e no Distrito Federal. O Cadastro Ambiental Rural (CAR), uma espécie de fotografia do uso e ocupação das terras, possibilita ao Governo Federal e órgãos ambientais estaduais conhecerem a localização de cada imóvel rural e a respectiva situação de adequação ambiental.

Já o Programa de Regularização Ambiental (PRA) permite que os estados orientem, e acompanhem, os produtores rurais nas possíveis ações para a recomposição de áreas com passivos ambientais nas suas propriedades, tanto nas Áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal, ou de Uso Restrito.

 

Reserva Legal

 

Reserva Legal (RL) é o percentual da propriedade que deve ser mantido com vegetação nativa, e varia de acordo com o Bioma onde a propriedade está inserida, sendo: 80% em propriedades rurais localizadas em área de floresta na Amazônia Legal; 35% em propriedades situadas em áreas de Cerrado na Amazônia Legal, e no restante do país, 20% por propriedade.

 

Área de Preservação Permanente (APP)

 

Área de Preservação Permanente (APP) - conforme definido no Código Florestal, a APP é uma área coberta, ou não, por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora (migração de genes), proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas. As APPs inseridas na lei são: as faixas marginais de qualquer curso d’água natural perene e intermitente; as áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais; as áreas no entorno dos reservatórios d’água artificiais, decorrentes de barramento ou represamento de cursos d’água naturais; as áreas no entorno das nascentes e dos olhos d’água perenes; as encostas ou partes destas com declividade superior a 45º; as restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; os manguezais, em toda a sua extensão; as bordas dos tabuleiros ou chapadas; topos de morros, montes, montanhas e serras, com altura mínima de 100 (cem) metros e inclinação média maior que 25º;  as áreas em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. cada qual com especificações bem detalhadas de proteção.

 

Matriz Energética Brasileira

 

 

A Matriz Energética é o conjunto de fontes utilizadas em um país para suprir as necessidades de energia. Comparativamente, a Matriz Energética do Brasil, por ser mais limpa, é muito diferente da mundial, e também dos 36 países que compõem a OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (veja o gráfico). O Brasil é o país que mais utiliza energias advindas de fontes renováveis no mundo. No Estado de São Paulo, em virtude do etanol e da bioeletricidade advinda da co-geração, esse percentual ultrapassa os 55% de energias limpas e renováveis.

 

Clique na imagem para ampliar!

Fonte: Ministério de Minas e Energia (2021)

Matriz

Fonte: Ministério de Minas e Energia (2021)

 

Água - Vital e Estratégica

 

Água é vida. Ela é parte essencial da biosfera, o conjunto dos ecossistemas existentes no planeta Terra: litosfera, hidrosfera e atmosfera.

 

Foi o geólogo Eduard Suess, em 1875, que cunhou o termo biosfera para descrever o espaço povoado pelos seres vivos no nosso planeta. Na biosfera interagem a camada superior do solo (litosfera), as águas continentais e oceânicas (hidrosfera) e a atmosfera, propiciando que haja vida.

Em todas as células dos seres vivos existe água, que é fundamental para que aconteçam as reações bioquímicas responsáveis pela alimentação e crescimento das plantas e animais.

Onde existe ou pode existir vida, existe água.

O planeta Terra é formado por 1.454.375 milhões de km³ de água, porém apenas 2,5% de toda a água existente é doce, própria para o consumo humano, mas nem toda disponível ao uso humano, boa parte, é gelo.

 

Veja como está distribuída a água em nosso planeta:

 

 

  • 94,2% (1.370.000 103 km³) são de água salgada, dos oceanos e mares.
  • 4,1% (60.000 103 km³), de água subterrânea;
  • 1,7% (24.000 103 km³) de água das calotas polares;
  • 0,008% (125 103 km³), de água doce de lagos;
  • 0,01% (155 103 km³), de água salgada de lagos;
  • 0,005% (80 103 km³), de a umidade do solo;
  • 0,001% (14 103 km³), de água da atmosfera;
  • 0,0007% (103 km³), de água dos rios.

Mas como surgiu a água?

A origem da água está diretamente ligada ao resfriamento do nosso planeta.  No início a Terra era uma enorme “bola de fogo” envolvida por lava de vulcão, que conforme foi resfriando passou a liberar calor e gases. Os gases acabaram formando a atmosfera, fundamental para água.

Ciclo Hidrológico

A partir da formação da atmosfera, a água começou um movimento periódico na Terra, e ao redor dela, o chamado Ciclo Hidrológico, ou o Ciclo das Águas. Esse Ciclo não tem início e nem fim. Ininterruptamente as águas dos oceanos, mares, rios, lagos, a umidade do solo e a transpiração das plantas evaporam pela ação dos raios solares formando as nuvens. Lá em cima, na atmosfera, essas nuvens ficam densas e precipitam, isso pode acontecer em forma de chuva, de orvalho ou até de pedacinhos de gelo.

 

Água subterrânea

4,1% (60.000 103 km³) da água da Terra são subterrâneas.

Essa água está fora da nossa visão. Ela se infiltra no solo e fica alojada nos espaços vazios do subsolo, e também nas rochas. Ela se movimenta muito lentamente, e parte volta para as nascentes, rios, lagos e oceanos.

Na América do Sul está um dos maiores aquíferos do mundo, o Aquífero Guarani. Esse manancial de água doce, confinada no subsolo, se estende por 1 milhão e 200 mil quilômetros quadrados, entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. 70% dele estão em território brasileiro. A área é equivalente à soma das áreas da Inglaterra, França e Espanha.

O volume de água do Aquífero Guarani é estimado em 46.000 km³, ou seja, quarenta e seis quintilhões de litros, que podem ser utilizados para todos os fins, do lazer ao consumo humano. Essa quantidade de água é suficiente para atender às necessidades de uma população de 360 milhões de pessoas, usando cada uma 300 litros por dia.

O Aquífero Guarani é estratégico, e como todo corpo hídrico deve ser conservado para garantir o abastecimento de hoje e do futuro.

 

Usos da água no Brasil

Usos da água no Brasil

No Brasil, a água é utilizada principalmente para irrigação de lavouras, abastecimento público, atividades industriais, geração de energia, extração mineral, aquicultura, navegação, turismo e lazer. Cada uso depende e pode afetar condições específicas de quantidade e de qualidade das águas.

Os usos podem ser classificados em consuntivos (que captam e consomem água, como o industrial) e não consuntivos (não consomem diretamente, mas dependem da manutenção de condições naturais ou de operação da infraestrutura hídrica, como o turismo e o lazer).

Cerca de 93 trilhões de litros de água são captados anualmente de fontes superficiais e subterrâneas para atender aos diversos usos consuntivos.

 

 

O conhecimento sobre os usos da água é constantemente aprimorado por meio de levantamentos, estudos setoriais e cadastros de usuários. Para que vários setores usufruam da água, a ANA, Agência Nacional das Águas,realiza estudos e emite normas que garantem o acesso aos recursos hídricos.

Fonte: ANA

 

Água e agricultura

 

Sem água não há como produzir alimentos. Estudos mostram que a agricultura consome 70% da água, no entanto, é importante ressaltar que a agricultura faz parte do ciclo hidrológico, e não deve ser classificada, simplesmente, como consumidora de água.

A grande vantagem do meio rural em relação ao urbano na questão das águas é que o meio rural é, acima de tudo, um produtor de água. É no campo, nas propriedades rurais, que se dá a preservação das principais nascentes de água e das florestas nativas. Segundo a Embrapa, as áreas dedicadas à preservação da vegetação nativa pelo mundo rural brasileiro somam 282,8 milhões de hectares e representam 33,2% do nosso território. Os números estão em um estudo feito pela Embrapa Territorial, com o geoprocessamento dos dados do Censo Agropecuário 2017 e do Sistema Nacional do Cadastro Ambiental Rural (SiCAR).

Assim como no meio urbano, no rural a água deve ser usada de forma racional e responsável, ou seja, não consumir além do necessário e cuidar para que não seja contaminada.

 

 

A produção irrigada tem uma produtividade de 2 a 3 vezes maior do que áreas de sequeiro (não irrigadas), por isso é muito importante a segurança alimentar No Brasil alimentos que fazem parte do dia a dia da população como arroz, feijão, legumes, frutas e verduras são produzidos em grande medida por meio da irrigação. A rizicultura (produção de arroz) e a horticultura (produção legumes, verduras) utilizam a irrigação  em mais de 90% da produção .

Com a irrigação a qualidade dos produtos melhora, o custo unitário fica menor, o impacto das variantes climáticas diminuem. Atualmente, cerca de 8 milhões de hectares no Brasil são irrigados, o que representa 3% da área plantada no país.

Estudos setoriais da Agência Nacional de Águas (ANA) demonstram que até 36% da área agrícola atual poderia ser irrigada e até 15% da área de pastagem. 

 

 

A segurança hídrica garante o uso prioritário da água para homens e animais, por isso o planejamento e a gestão recursos hídricos ganham cada vez mais importância. O Plano Nacional de Recursos Hídricos 2022-2040, que está em elaboração, norteia a Política Nacional de Recursos Hídricos para garantir água em qualidade e quantidade suficiente para atender a demanda de todos os usos da água no Brasil.  

ABAG/RP