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Compilado 02 - O que é agronegócio?

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CAPÍTULO 02

AGRONEGÓCIO é a soma de todas as operações que acontecem ANTES, DENTRO e DEPOIS das porteiras das fazendas.

Começa com a pesquisa científica, passa pela produção de insumos (máquinas, implementos, fertilizantes, defensivos etc) usados na produção agropecuária dentro das fazendas, e continua com o transporte, armazenamento, industrialização, distribuição e comercialização dos produtos, até que cheguem às mãos dos consumidores em supermercados, bares, restaurantes, lojas e até postos de combustíveis. Soma-se a isso os serviços de vários profissionais das ciências agrárias do sistema financeiro, e de outras áreas do conhecimento.

Agronegócio interliga atividades rurais e urbanas, nas chamadas cadeias produtivas, ou cadeias de valor. No Brasil, o agronegócio é um dos principais setores da economia.

Entendeu o que é agronegócio? 

Pense na sua rotina diária. O agronegócio está presente nos lençóis da cama, no cafezinho, na comida, nas roupas de lã,  de seda, ou de algodão, no sapato de couro, no chinelo de borracha, na madeira da cadeira, no etanol que abastece os carros, no biodiesel que move os ônibus e os caminhões, na luva que protege as mãos dos médicos, no papel que usamos na escola, no trabalho…

Muita coisa, não é?

Imagine o que foi preciso fazer para produzir cada um desses produtos, e os caminhos que eles percorreram para chegar até você. Todos passaram por diversos processos.

Existe muito trabalho antes e depois de semear, plantar e colher. Esses processos, juntos, formam as CADEIAS PRODUTIVAS.

Mas o que é uma Cadeia Produtiva?

O Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Brasil define Cadeia Produtiva como: “o conjunto de atividades que se articulam progressivamente desde os insumos básicos até o produto final, incluindo distribuição e comercialização, constituindo-se em segmentos (elos) de uma corrente”.

Exemplos: a cadeia produtiva do café, que também pode ser chamada de agronegócio do café. Assim é também para a cana-de-açúcar, amendoim, laranja, milho, soja, leite etc.

 

Veja o fluxograma abaixo:

Antes da porteira

Dentro da porteira

Depois da porteira

Consumidor final

Perceba que:

 

Da pesquisa à mão do consumidor, existe um complexo FLUXO DE ATIVIDADES.

No inverso, temos o FLUXO DE INFORMAÇÕES. O consumidor é quem dita o ritmo de crescimento de cada cadeia produtiva. Se ninguém compra, não há motivos para produzir.

São diversas as cadeias produtivas. Para cada produto da agropecuária existe um encadeamento de atividades diferente. Quanto mais organizada for a conexão entre cada etapa na produção, melhor será o fluxo de informações, e maiores serão as possibilidades de atender aos desejos e anseios dos consumidores.

 

CONHEÇA ALGUMAS CADEIAS PRODUTIVAS

[CAFÉ]  [CANA]  [AMENDOIM]  [LARANJA]

 

E qual é o elo mais importante?

A produção, a industrialização, ou a distribuição? Pense em uma corrente. Se todos os elos forem reforçados e apenas um estiver fraco, a corrente vai se partir exatamente naquele ponto. Moral da história: nenhuma corrente (cadeia) é mais forte do que o seu elo mais fraco.

Pessoas

Como fazer com que os produtos do agro cheguem às mãos dos consumidores, em quantidade e qualidade suficientes?

Esta pergunta envolve dois conceitos importantes, o de Segurança Alimentar e o de Segurança do Alimento.

Segurança Alimentar

Segurança Alimentar

 

A traumática experiência da Primeira Guerra Mundial mostrou que um país poderia dominar o outro controlando seu fornecimento de alimentos. Segurança Alimentar diz respeito à soberania e à capacidade que cada país tem de suprir as necessidades de sua população. Foi nesse período que ganhou força, em muitos países, a questão dos estoques estratégicos de alimentos. Vale a ressalva de que nem todos os países conseguem manter estoques, ou mesmo produzir tudo o que consomem. Daí a importância dos acordos comerciais, para permitir a importação e a exportação de produtos, para equilibrar oferta e demanda.

O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional - CONSEA - define Segurança Alimentar como o "direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras da saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis".

Segurança Alimentar está relacionada ao aspecto quantitativo, à oferta de alimentos em quantidade suficiente para suprir as necessidades nutricionais da população.

Segurança do Alimento 

Segurança do Alimento se refere à garantia da qualidade dos alimentos, para que não causem danos à saúde ou integridade dos consumidores. A Segurança do Alimento é consequência do monitoramento e controle de todas as etapas das cadeias produtivas, desde o campo até as mãos do consumidor.

 

O Brasil e a Segurança Alimentar Mundial

      

Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) elencam o Brasil em posição de destaque para prover a segurança alimentar mundial.

A FAO aponta que o planeta terá 9,7 bilhões de habitantes em 2050. O Brasil, sozinho, de acordo com essas pesquisas, terá condições para elevar sua produção em 41%, e atender à expectativa de ampliação da oferta de alimentos, energia e fibras.

 

USDA – Projeção da Produção de Alimentos até 2026/27

Agronegócio brasileiro

As transformações ocorridas na agropecuária brasileira, nos últimos 50 anos, tiraram o país da condição de importador de alimentos (na década de 1970) e o conduziram ao patamar de um grande exportador, aliás o terceiro maior do mundo. A produção agropecuária do Brasil, além de atender às demandas da nossa população, também chega a aproximadamente 800 milhões de pessoas espalhadas pelo planeta.

Atualmente, a produção brasileira de grãos é exemplo de sustentabilidade para o mundo inteiro: da safra 1990/91 a 2020/21*, a produção brasileira de grãos cresceu 339%, enquanto a área plantada aumentou apenas 82%. Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Tudo isso graças às pesquisas e tecnologias empregadas e aos novos modelos de gestão.

O Brasil possui a mais avançada tecnologia para a agricultura tropical do mundo, e além disso conta com disponibilidade de terras, clima, água, recursos humanos bem formados e produtores competentes, inclusive na gestão das propriedades.

Você sabia?

Se o Brasil usasse hoje a mesma tecnologia disponível nos anos 1990, seriam necessários mais 114 milhões de hectares para atingir a atual produção.

Ou seja, foi evitada a abertura de novas áreas.  Isso é conhecido como desmatamento evitado.

No gráfico abaixo é possível perceber as diferenças entre as curvas de produção de grãos e da abertura de novas áreas, e, em vermelho, a quantidade de terra poupada com o aprimoramento da tecnologia usada no campo.

 

 FONTE: XXXXXXXXXXXXX

Veja também sobre a produção de carnes no Brasil

Conheça os modos de produção no Brasil. Existe espaço para todos!

A agricultura é mais diversa do que a maioria das pessoas Fonte: Banco de Imagens (Pixabay)

A agricultura é mais diversificada do que a maioria das pessoas pode imaginar, afinal não existe apenas uma forma de produzir alimentos. Até podemos dividir entre sistema de produção extensivo e intensivo, no entanto, dentro de cada um deles, existem diferentes práticas de manejo que podem ser empregadas.

A produção agrícola passa por modificações rápidas em resposta às mudanças nos custos de produção, demandas dos consumidores e preocupações com a segurança alimentar, segurança dos alimentos e impactos ambientais.

Isso faz com que a diversidade dos modos de produção no Brasil seja grande. 

Embora a agricultura não seja uniforme em todo o país, é a atividade mais difundida e geralmente é classificada com base no tipo de cultura, escala, intensidade do cultivo, nível de mecanização, sistemas integrados de produção, entre outros.

Os diferentes modos de produção agrícola estabelecem configurações de cultivo que se baseiam nas condições do ambiente e são adequados às características e necessidades da produção e dos agricultores.

Os pesquisadores classificaram os modos de produção de acordo com a expansão, disponibilidade de água, padrão de cultivo, volume de produção, variações sazonais, concentrações regionais, sistema social, propriedade da terra etc. Em alguns casos, pode haver sobreposição dos tipos, dificultando a classificação. A seguir os principais modos de produção praticados no Brasil.

Agricultura convencional

Agricultura convencional

Dos diversos modos de produção, este é o mais empregado no Brasil, principalmente nas plantações em larga escala. Geralmente são utilizados maquinários e tecnologias agrícolas modernas.

Essa modalidade é tida como essencial para que todo o sistema do agronegócio funcione plenamente, pois dela advém a maior parte da produção de grãos que são consumidos internamente e exportados, destinados à industria para a produção de óleos e farinhas, ou na alimentação animal. 

Agricultura familiar e de subsistência

Agricultura familiar e de subsistência

É praticada por agricultores menos benificiados, comunidades tradicionais e assentados da reforma agrária. Segundo os dados apresentados no Censo Agropecuário de 2017, das mais de 5 milhões de propriedades em todo o Brasil, 77% são classificados como agricultura familiar. 

Na agricultura familiar a organização e o controle da propriedade são compartilhados pela família.

Agricultura orgânica

Agricultura orgânica

A agricultura orgânica é um conjunto de práticas agrícolas que se concentram no cultivo de alimentos utilizando, preferencialmente, produtos não sintéticos. 

 

  • [Saiba +] Agricultura Orgânica 

O inglês Sir Albert Howard é considerado o pai da agricultura orgânica. Como pesquisador na Índia, entre os anos 1920 e 1960, defendia o não uso de adubos sintéticos e a importância de agregar matéria orgânica para melhorar a fertilidade e a vida do solo. Observando os hindus ele desenvolveu o método de compostagem chamado de Indor, muito comum nos processos utilizados até hoje.

A Agricultura Orgânica é usualmente definida como não convencional, pois busca processos agroecológicos que a aproximam mais da natureza. Existem muitos modelos não convencionais (biológica, orgânica, natural, biodinâmica, yamaguishiana, permacultura, agroflorestal, entre outros), que adotam os mesmos princípios: o não uso de qualquer aditivo químico e que sejam evitados, ao máximo, os insumos externos ao sistema de produção. Os alimentos rotulados como orgânicos precisam ser livres de resíduos tóxicos e contaminantes biológicos, mesmo depois de processados, e devem passar por certificações que garantem a qualidade ao consumidor.

A agricultura orgânica tem sido apontada por muitos como a solução para o desafio da segurança alimentar sustentável. Porém, os alimentos produzidos de forma orgânica ocupam apenas 1% das terras agrícolas do mundo, e representam somente 8% das vendas totais em países da América do Norte e da Europa, onde a população se dispõe, e pode pagar mais por eles.

Sistema agroflorestal (agrossilvicultura) Fazenda Painel, Cravinhos. Créditos : Instituto Nova Era

Sistema agroflorestal (agrossilvicultura)

Esse sistema concentra algumas atividades agrícolas em um mesmo espaço, ao mesmo tempo. É o uso da terra e tecnologias em que plantas perenes (árvores, arbustos, palmeiras, bambus etc.) são mantidas no mesmo espaço de manejo da terra com culturas anuais e/ou animais. Isso de forma alternada e em uma sequência ao longo do tempo.

Os sistemas agroflorestais (SAFs) ou agroflorestas apresentam maior facilidade de recuperação da fertilidade dos solos, fornecimento de adubos verdes, controle de ervas daninhas, entre outros.

 

  • [Saiba +] Sistemas Agroflorestais

Já são muitos produtores rurais que adotam o SAF, distribuídos em quase todos os estados brasileiros. Inclusive, existem conceitos e práticas estabelecidas para a implantação dos SAFs no bioma amazônico, garantido preservação e produção comercial e de subsistência.

A implantação dos sistemas integrados pode ajudar a desenvolver diferentes cadeias produtivas numa mesma área. A associação das diferentes culturas diminui os custos de produção, reduz os impactos ambientais e aumenta a produtividade.

Por definição, os sistemas integrados são aqueles em que numa mesma área há integração em dois ou mais sistemas de produção agrícola. Essa integração pode ser por consórcio, rotação ou sucessão de sistemas.

Os sistemas integrados podem ser divididos em quatro tipos:

  • Agropastoril – Integração Lavoura-Pecuária (ILP)
  • Silvipastoril – Integração Pecuária-Floresta (IPF)
  • Silviagrícola – Integração Lavoura-Floresta (ILF)
  • Agrosilvipastoril – Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)

A ILPF reúne os componentes agrícola, pecuária e florestal em um único sistema. Segundo dados da Rede ILPF (safra 20/21), no Brasil já são mais 17,4 milhões de hectares cultivados nesse sistema de produção.

Agricultura e a cobertura vegetal nativa no Brasil e no mundo: uso e ocupação de terras Infográfico: Uso e Ocupação de Terras no Brasil

Agricultura e a cobertura vegetal nativa no Brasil e no mundo: uso e ocupação de terras

Levantamento feito pela Embrapa Territorial, uma das unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, mostra que dos 851 milhões de hectares do território brasileiro, 66,3% estão cobertos por vegetação nativa. A agricultura ocupa 7,8% nos quais são produzidos grãos, frutas, hortaliças e culturas perenes; 1,2% é ocupado pelas  florestas plantadas; 21,2%, por pastagens,  sendo 8% nativas e 13,2% plantadas. Ou seja, agricultura e pecuária, juntas, ocupam 30,2%, ou 257 milhões de hectares.

Os outros 3,5% do território brasileiro abrigam os centros urbanos, e toda infraestrutura, como estradas, parques industriais e afins. 

Veja detalhes do uso e ocupação das terras no Brasil no inforgrafico "Uso e Ocupação de Terras no Brasil".

E a NASA confirmou

E a NASA confirmou!

NASA, agência espacial norte-americana, confirmou os números da Embrapa. A agência, em conjunto com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) realizou, durante duas décadas, um amplo levantamento, com o mapeamento por satélites e cálculo das áreas cultivadas em todo o planeta. É sabido que 75% do planeta Terra são cobertos por água, e 25% por terra.  O estudo, publicado em novembro de 2017, revelou que desses 25%, que correspondem a 13,4 bilhões de hectares, cerca de 1,87 bilhão de hectares são ocupados por lavouras. No caso do Brasil, foi demonstrado  que apenas 7,6% do território são ocupados pela agricultura. A maior parte dos países utiliza entre 20% e 30% do território para produção agrícola. Os países da União Europeia usam entre 45% e 65%. Os Estados Unidos, 18,3%; a China, 17,7%; e a Índia, 60,5%. 

Agronegócio brasileiro e a competitividade mundial

Agronegócio brasileiro e a competitividade mundial

 

O Brasil é, desde o século XVI,  mundialmente reconhecido por sua produção de café e açúcar. Mas foi no século XX que o país despontou com a produção, em grande escala, de outros alimentos, fibras e energia. Atualmente o agronegócio brasileiro não apenas é capaz de abastecer o mercado interno, como também exporta para mais de 180 países. Mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo consomem produtos “produzidos no Brasil”. Depois de abastecido o mercado interno, os excedentes de produção são exportados.

No ano 2000, o Brasil concentrava a maior parte de suas exportações (59,4%) para os mercados americano e europeu, e a Asía e Oriente Médio recebiam 18,4% apenas. A produção brasileira foi ficando mais competitiva e em menos de 20 anos, o país conseguiu alcançar outros mercados. Em 2021 a União Europeia e os Estados Unidos representaram 22,4% e a Asia 57,4% das exportações. Apesar da aparente queda para a União e Estados Unidos, em virtude de o percentual ter diminuído, o volume de negócios aumentou, pois o valor total exportado em 2000 foi de US$ 20,6 bi, e em 2021 foi de US$ 120,60 bi.

O fato de o Brasil ser um grande exportador de alimentos, muitas vezes deixa impressão de que o país fica desabastecido. Na produção de frango, por exemplo, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial, com 13,8 milhões de toneladas. No entanto é o primeiro exportador, sendo que o volume exportado representa 27% da produção.

 

Produtos

Destinos

Fontes: MAPA e MDIC. Elaboração: FGV Agro

Produção e exportação Fonte: USDA/2021, Elaboração: CNA
ABAG/RP