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Módulo - Florestas Plantadas e Papel

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O caminho para chegar ao papel foi longo, mas definitivo para mudar a forma de disseminação da comunicação.

Desde a Idade da Pedra o homem já registrava seus pensamentos e ações, por meio do que é conhecido hoje como pinturas rupestres*.

A escrita surgiu antes do papel. Há mais de 6 mil anos, as palavras eram inscritas em pedras, argila, ou outros materiais, que variavam de região para região, como: cascas de árvores, na América pré Colombiana; folhas de palmeiras, na Índia; ossos, e até tecidos de seda, na China.

 

Fonte: UFMG (2020)

 

*Desenhos feitos com sangue de animais, barro, ovos e extratos de folhas e flores são evidências da história, gravadas nas paredes das cavernas.

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Somente por volta  de 3000 a.C Cyperus papyrus. Plants of the World Online (POWO)

Somente por volta de 3.000 a.C. é que os egípcios desenvolveram o papiro, com material extraído da planta Cyperus papyrus, que crescia às margens do rio Nilo, no Egito. Com as fibras dos talos da planta eram fabricadas cordas, barcos e o papiro, destinado à escrita.

O papiro foi o principal suporte da escrita dos povos mediterrâneos, porém, conta a história, que temendo sua escassez, os egípcios proibiram a exportação do produto no século II d.C. (McMurtrie, 1965)

O rei de Pérgamo, Eumenes II, para compensar a falta de papiro, estimulou que  fossem usadas peles de animais para a finalidade da escrita. Os habitantes de Pérgamo criaram então o pergaminho, cuja utilização atravessou a Idade Média, porém o custo era muito alto. Para imprimir a Bíblia de Gutenberg, por exemplo, seriam necessárias peles de 300 carneiros.

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Florestas plantadas

Desde o século XIX, árvores são plantadas com o intuito de produzir madeira e resina. O setor brasileiro de papel e celulose é referência em todo o mundo devido à qualidade e certificação da matéria-prima, e por possuir base florestal plantada de origem sustentável.

As florestas plantadas são recursos renováveis e, portanto, amigáveis ao meio ambiente e à vida. O Brasil possui nove milhões de hectares plantados de eucalipto, pinus e outras espécies para a produção de painéis de madeira, pisos laminados, celulose, papel e energia.

Segundo o IBÁ, Instituto Brasileiro de Árvores, as árvores plantadas são responsáveis por 91% de toda a madeira produzida para fins industriais no país. Os demais 9% vêm de florestas naturais legalmente manejadas.

 

No ranking mundial de produção o Brasil ocupa a 10ª colocação na produção de papel, e a 2ª na de celulose

 

Fontes: Embrapa Florestas (2016) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (2018)

SAIBA MAIS - Silvicultura

SAIBA MAIS - Silvicultura

Silvicultura é o ramo das ciências agrárias dedicado ao estudo, manejo, cultivo e exploração sustentável das florestas, sejam elas naturais ou plantadas. Seu objetivo é produzir madeira, fibras, energia, resinas e outros produtos florestais, ao mesmo tempo em que promove a conservação ambiental, a proteção do solo, da água e da biodiversidade.

Na prática, a silvicultura envolve atividades como:

  • escolha das espécies florestais;
  • plantio e condução das florestas;
  • manejo sustentável;
  • colheita planejada;
  • recuperação de áreas degradadas.

No Brasil, a silvicultura está fortemente associada ao cultivo de eucalipto e pinus, usados principalmente pela indústria de papel e celulose, construção civil, móveis e produção de energia.

Fontes institucionais:

  • FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura
    Define silvicultura como a ciência e a prática do estabelecimento, manejo e uso sustentável das florestas.
  • IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
    Utiliza o termo silvicultura para se referir às atividades de produção florestal plantada, diferenciando-a do extrativismo vegetal.

Senta que lá vem um pouco da história das florestas plantadas no Brasil...

 

No Brasil os plantios de florestas começaram há mais de um século. Em 1903, o pioneiro Navarro de Andrade trouxe mudas de eucalipto (Eucalyptus spp.), que se adaptaram bem aos cerrados paulistas. Desses eucaliptos plantados foram retiradas as toras de madeira usadas como dormentes para a construção das estradas de ferro.

 

Em 1947 foi a vez do pinus (Pinus spp.), espécie que se adaptou muito bem na região Sul do Brasil.

Como os recursos naturais da Mata Atlântica há muito vinham sendo dilapidados, o plantio dessas espécies tornou-se alternativa viável para suprir a demanda por madeira.

A década de 70 foi marcada pela política de incentivos fiscais para o reflorestamento, possibilitando a ampliação do estoque de madeira. Desde então foram feitos investimentos em pesquisas que consolidaram o uso do Pinus e do Eucalipto em plantios comerciais.

O Brasil detém as melhores tecnologias na produção do eucalipto, atingindo a produtividade de cerca de 60m³/ha, em ciclos de sete anos. Existem também plantios comerciais de outras espécies, como Acácia (Acacia mearnsii), Seringueira (Hevea spp.), Teca (Tectona grandis), Paricá (Schizolobium parahyba), Araucária (Araucaria angustifolia) e Álamo (Populus sp.).

 

Fonte: Revista Visão Agrícola da Esalq/USP nº 4 (2005)

 

 

O que é importante saber sobre as florestas plantadas:

sequestram carbono

têm ciclos de produção mais curtos, em relação aos países de clima temperado

diminuem a pressão sobre florestas nativas

servem para o reaproveitamento de terras degradadas

protegem o solo e a água

Você sabia?

A unidade de medida “estere” (st) é utilizada no setor florestal para a mensuração de madeira empilhada, incluindo espaços vazios. Um “estéreo”, ou estere, equivale a 0,667 m³. A unidade surgiu na França, em 1973, para padronizar as medidas para a comercialização de lenha, e é utilizada até os dias de hoje para o armazenamento e comercialização de madeiras em formatos irregulares, como lenha e cavaco.

O uso do metro cúbico (m³) também é comum no setor florestal para mensurar madeira em formato de tora ou peças serradas. Assim, é considerado o volume real sólido, ou seja, sem espaços vazios.

 

 

Fonte: Consufor (2025)

SAIBA MAIS

SAIBA MAIS

O volume estéreo (de lenha empilhada) é calculado pela fórmula:

Vemp = H x L1  x L2

Em que:

Vemp – Volume de madeira empilhada;

H – Altura da pilha de madeira (m);

L1 – Largura da pilha de madeira (m);

L2 – Comprimento da pilha de madeira (m).

Observação: a conversão de medida em estéreo (st) para metro cúbico atende a seguinte proporcionalidade:

“1 metro cúbico sólido equivale a 1,5 estéreo (st) de madeira empilhada.”

 

Fonte: SERVIÇO FLORESTAL BRASILEIRO. Plano de Manejo Florestal Sustentável – Floresta Nacional do Amapá, UMF II. Viviane Miyamura Loch – EPP, 2024. 139 p. Disponível em: https://www.gov.br/florestal/pt-br/assuntos/concessoes-e-monitoramento/concessoes-florestais-em-andamento/floresta-nacional-do-amapa-ap/viviane-miyamura-loch-epp-execucao-tecnica-da-concessao-amapa-umf-ii/pmfs-flona-amapa-umf-2.pdf. Acesso em: 26 de janeiro. 2025.

 

No Brasil, as duas principais fontes de madeira utilizadas para a produção de celulose são as árvores plantadas de pinus e de eucalipto, responsáveis por mais de 98% do volume produzido. A celulose também pode ser obtida de outros tipos de plantas, não-madeiras, como: bambu, babaçu, sisal e outras biomassas (bagaço de cana-de-açúcar).

Após o cultivo, crescimento e colheita das árvores plantadas, a madeira é descascada e picada em pequenos pedaços, chamados cavacos. Em seguida, os cavacos são selecionados para remoção de lascas e serragens, e depois são submetidos a processos mecânicos e químicos para a produção da celulose.

 

 

Na primeira etapa desse processo, os cavacos são submetidos a um cozimento, em um equipamento chamado digestor, com a utilização de água, produtos químicos, pressão e temperaturas da ordem de 150ºC. O objetivo é separar as fibras de celulose da lignina, substância que une as fibras, aumenta a rigidez da parede celular vegetal, e constitui, juntamente com a celulose, a maior parte da madeira das árvores e arbustos.

Depois da separação, as fibras celulósicas formam uma pasta marrom que, na etapa seguinte, passa por uma série de processos e reações químicas, responsáveis por depurar, lavar e branquear essa polpa até a alvura (brancura) desejada.

 

Fonte: EPE – Empresa de Pesquisa Energética; IEA – International Energy Agency; IBÁ – Indústria Brasileira de Árvores. A indústria de Papel e Celulose no Brasil e no Mundo: panorama geral. Rio de Janeiro: EPE; IEA; IBÁ, 2022. Disponível em: https://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-650/Pulp%20and%20paper_EPE+IEA_Português_2022_01_25_IBA.pdf. Acesso em: 30/01/2026.

Processo para a fabricação do papel

Imagem ilustrativa

O papel é um dos produtos mais consumidos no mundo. Produzido a partir da celulose, extraída de caules lenhosos, faz parte do cotidiano da humanidade, em produtos ligados à educação, comunicação e informação. Serve, também, a um amplo espectro de usos comerciais e residenciais, a exemplo das caixas para transporte de mercadorias, das embalagens que protegem alimentos, em produtos para higiene e limpeza, e centenas de outros usos.

Para suprir a necessidade de papel é primordial a produção de matéria-prima em padrões sustentáveis. Esse é um desafio para o qual a indústria está atenta, inovando e investindo. Vale ressaltar que no Brasil o papel produzido a partir de florestas plantadas, que são recursos renováveis. O país é um importante produtor mundial de papel, e além de abastecer o mercado interno, exporta para países da América Latina, União Europeia e América do Norte.

 

[Vídeo] COMO É FABRICADO O PAPEL - Manual do Mundo

VOCÊ SABIA?

O papel é reciclável. Parte retorna ao ciclo produtivo após o primeiro uso, e é transformado em outros produtos, como: papelão, papel ondulado, papel pardo, entre outros. A indústria avança também com melhorias contínuas para uma produção mais limpa e de menor impacto.

 

 

Produtos da floresta no cotidiano

Produto Matéria-prima da floresta Função no produto
Sorvete Celulose da madeira (carboximetilcelulose) Atua como espessante e estabilizante, deixando o sorvete mais cremoso
Repelentes Óleos essenciais (andiroba, citronela, eucalipto) Compostos naturais que afastam insetos
Tecidos Celulose transformada em fibras (viscose, modal, lyocell) Produção de fibras têxteis usadas em roupas
Cosméticos Óleos vegetais e resinas (copaíba, buriti, andiroba) Proporcionam hidratação, fragrância e ação antioxidante
Conservantes Taninos e extratos vegetais Funcionam como antioxidantes e conservantes naturais
Mantas asfálticas Resinas naturais e lignina Usadas em impermeabilizantes e adesivos da construção civil

 

 

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Outros subprodutos:

Lenha

Proveniente de reflorestamento, a lenha é utilizada por meio da sua queima direta, ou pela sua combustão, gerando o carvão vegetal utilizado em residências ou na indústria.

 

Carvão vegetal

É muito usado no dia a dia como combustível para aquecedores, lareiras, churrasqueiras e fogões a lenha. Além disso, o carvão vegetal é indispensável em alguns setores industriais, como as siderúrgicas.

 

Pellets

Pellets são pequenos granulados, feitos de resíduos de madeira reciclados, semelhantes à ração de cães. Eles podem ser queimados sem fumaça, de forma totalmente automática, e com uma economia ao redor de 50% quando comparados com o gás. Seu poder calorífico chega a mais do que o dobro do da madeira natural.

Os pellets de madeira são produzidos a partir de serragem refinada e seca, e posteriormente comprimida.

 

Pisos laminados

São os principais tipos de pisos produzidos com madeira, desenvolvidos com avançada tecnologia, e utilizados em residências, comércios e ambientes corporativos.

 

Energia que vem do campo: biomassa

A biomassa é um recurso renovável que vem da matéria orgânica, como plantas e restos animais, e responde por cerca de 8,55% da energia que o Brasil consome. Além de gerar energia limpa, ela ajuda a diminuir a quantidade de resíduos produzidos pelas atividades humanas.

No Brasil, o bagaço da cana-de-açúcar é a principal fonte para gerar energia elétrica, mas outros resíduos agrícolas, como casca de arroz, castanha, amendoim, madeira e coco, também são usados para isso.

 

As florestas energéticas, plantadas só para produzir biomassa, ajudam a gerar energia limpa, criar empregos e preservar ecossistemas, pois diminuem a pressão sobre florestas naturais.

Hoje, o Brasil conta com cerca de 630 usinas movidas a biomassa, que juntas somam 16,7 GW de capacidade instalada. Isso ajuda a descentralizar a produção de energia e a reduzir os gases que causam o efeito estufa, já que a biomassa captura CO₂ enquanto cresce.

Além da energia, a biomassa serve para produzir biogás, fertilizantes, ração animal, produtos químicos, plásticos verdes e para o tratamento de resíduos urbanos e industriais.

 

A biomassa pode ser usada de várias formas:

  • Para gerar calor e energia térmica (como carvão vegetal e resíduos agroflorestais);
  • Para produzir biocombustíveis líquidos, como álcool e biodiesel, usados em motores;
  • Para gerar eletricidade, com tecnologias que queimam ou transformam os resíduos em gases.

 

Fonte: Indústria Brasileira de Árvores - IBÁ (2026)

ABAG/RP