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Capítulo 02 - História da Agricultura no Brasil e no Mundo (modelo A.B.E.L.H.A.)

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Objetivos: 

  • Apresentar aspectos históricos relacionados à agricultura.
  • Ampliar o conhecimento sobre a colaboração do campo para o desenvolvimento das cidades.
  • Apresentar a origem de alguns alimentos.

 

Você sabe como surgiu a agricultura?

Essa história é antiga, começou há mais de 6.500 anos a.C.

No Período Paleolítico os homens eram nômades, e precisavam se deslocar em busca de comida, que era obtida por meio da caça e do extrativismo.

No período seguinte, o Neolítico, ou Idade da Pedra, o homem caçador-coletor tornou-se também produtor, e mudou a relação com o ambiente à sua volta. Com as novas habilidades desenvolvidas, ele passou a tirar parte de seu sustento da terra. Assim tiveram início as primeiras comunidades, estáveis e fixas.

O desenvolvimento da agricultura, portanto, favoreceu o surgimento das primeiras civilizações. Muitas delas nasceram nas proximidades dos grandes rios, como o Tigre, o Eufrates, e o Nilo. Nelas a agricultura evoluiu acompanhando o progresso da própria civilização. Ou seja, em associação direta com o surgimento de novas técnicas.

A consolidação da agricultura e a domesticação dos animais propiciou a permanência em um mesmo local, o convívio em sociedade, a melhoria da qualidade de vida e o aumento da população. Conforme a agricultura cresceu, aumentou o volume de produção e de excedentes, o que favoreceu o aparecimento das trocas, o que conhecemos hoje como comércio.

navegações

Séculos mais tarde, em busca da ampliação de territórios e de poder, surgiram rotas comerciais e novas civilizações foram descobertas.

Conheça a origem de alguns produtos.

Batata

Originária dos Andes, na América do Sul, foi levada para a Europa em 1530. Apesar de ter alto valor calórico, e de ser relativamente fácil de ser produzida, levou mais de 200 anos para se popularizar e passar a ser consumida naquele continente. Chegou ao Brasil pelas mãos dos colonizadores espanhóis, sendo fonte de alimentação primária até o fim do século XIX.

 

 

Laranja

As laranjas doces foram trazidas da Ásia pelos portugueses logo após o descobrimento do Brasil, entre 1530 e 1540. Inicialmente foram plantadas na Bahia e em São Paulo. Hoje, de acordo com os dados da CitrusBR, Associação Nacional de Exportadores de Sucos Cítricos, de cada 10 copos de suco de laranja consumidos no mundo, 7 foram produzidos no Brasil.

 

 

Café

Originário da Etiópia, o café foi levado para a Arábia, depois para a Guiana Francesa, e chegou ao Brasil em 1727. Foi inicialmente plantado no Pará, depois Maranhão, Rio de Janeiro, e chegou ao Vale do Paraíba em 1825. Por ter encontrado clima e solo favoráveis, o cafeeiro se adaptou facilmente, iniciando um importante ciclo econômico.

O café sempre esteve entre os produtos mais importantes do Brasil. Atualmente o país é o 1º produtor e exportador, e o 2º maior consumidor mundial do produto.

Cana-de-açúcar

Nativa da Ásia, a cana-de-açúcar vem sendo cultivada no Brasil há cinco séculos. As primeiras mudas foram trazidas por Martim Afonso de Souza, em 1532, e plantadas em São Vicente, SP. Porém, foi na Região Nordeste que a cultura se multiplicou no período Colonial. A cana foi a primeira riqueza plantada, e marcou um importante ciclo econômico brasileiro (séculos XVI e XVII).

Atualmente a Região Centro Sul concentra a maior produção de cana (9,1 milhões dos 10,1 milhões de hectares plantados, ou 1,2% do território brasileiro), e o maior e mais desenvolvido parque agroindustrial sucroenergético do país. O Brasil é o 1º produtor e exportador mundial de açúcar.

 

A agricultura e a pecuária chegaram no Brasil, praticamente, de caravelas. Animais e vegetais, como frutas, hortaliças, cereais e leguminosas cruzaram os mares para alimentar os portugueses enviados para as terras da América.

Anos mais tarde, na época do Brasil Colônia, as grandes propriedades das Capitanias Hereditárias se dedicavam, principalmente, a uma só cultura. Neste período surgiram os engenhos de açúcar, com a utilização da mão-de-obra escrava vinda de países africanos.

No final do século XIX e começo do XX, a mão de obra dos imigrantes predominava nas grandes lavouras do Brasil. Elas produziam, principalmente, para a exportação. As pequenas propriedades, no entanto, produziam apenas para a subsistência.

Entrou também a ciência, a gestão, a diversificação de culturas e a mão de obra mais capacitada.

Revolução Verde

A chamada Revolução Verde começou com o trabalho do agrônomo norte-americano Norman Borlaug, que em 1930 decidiu se dedicar à pesquisa de variedades de trigo mais resistentes a doenças.  Em 1944 ele se mudou para o México para coordenar o Programa de Produção Cooperativa de Trigo naquele país.

Com a fome do pós guerra, os meios tradicionais de produção agrícola não eram mais suficientes para a grande demanda. Foi preciso encontrar soluções para produzir mais em menor área, e o trabalho de Bourlaug foi fundamental.

Foi desenvolvido um pacote tecnológico que teve como foco o aumento da produtividade nas lavouras. O pacote envolveu o melhoramento de sementes, para que fossem mais adequadas para determinados tipos de solo e clima; fertilizantes; defensivos agrícolas e outros insumos. Tudo isso, somado à utilização de máquinas no campo, irrigação e à melhor gestão, serviu de exemplo para outros países como Brasil, Índia, Paquistão e Filipinas.

A iniciativa deu tão certo que em 1968 o governo dos Estados Unidos chamou o movimento de Revolução Verde. Norman Borlaug foi reconhecido pelo seu trabalho, e recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1970.

A evolução agropecuária, a partir da Revolução Verde, foi um dos fatores que influenciou a pesquisa no Brasil para a produção agrícola no Cerrado brasileiro, bioma caracterizado pelo clima bem definido, relevo irregular e solos com baixa fertilidade. A tecnologia empregada possibilitou a abertura de novas áreas, anteriormente consideradas improdutivas. Segundo o presidente da Embrapa,  Celso Moretti, hoje a região responde por grande parte da produção brasileira de grãos, proteína animal, cana-de-açúcar, fibras, frutas e hortaliças.

 

Com o tempo, as práticas relacionadas à conservação de recursos naturais, principalmente do solo e da água, foram adotadas. Também foram aprimoradas as relações de trabalho e a conscientização da necessidade de melhor organização da produção. As associações, cooperativas e sindicatos foram importantes para esta evolução.

Grãos

 

Atualmente, a produção brasileira de grãos é exemplo de sustentabilidade para o mundo inteiro: da safra 1990/91 a 2019/20, a produção cresceu 334%, enquanto a área plantada aumentou 71%. Tudo isso graças às pesquisas e tecnologias empregadas e aos novos modelos de gestão.

O Brasil possui a mais avançada tecnologia para a agricultura tropical do mundo, e além disso conta com disponibilidade de terras, clima, água, recursos humanos bem formados e produtores competentes, inclusive na gestão das propriedades.

#Desafio

Professor, este desafio vale prêmios para seus alunos e para sua escola!

Para concorrer, os seus alunos deverão selecionar, em suas casas, produtos que não sejam alimentos, mas que pertençam ao agronegócio.

Os estudantes deverão representar, de forma livre (cartaz, vídeo, foto, texto, desenho, etc), a cadeia produtiva do produto que escolheram, apresentando o ANTES, o DENTRO e o DEPOIS das porteiras das fazendas.

Você deverá recolher os trabalhos dos seus alunos e encaminhar para o e-mail abagrp2@abagrp.org.br até a data definida no Regulamento.

Para validar a resposta, solicitamos, conforme consta no referido regulamento, que o aluno encaminhe uma foto na qual ele apareça confeccionando o material, ou com ele já finalizado. Em cada trabalho enviado deverá constar o nome completo do aluno, CPF, série, escola, cidade, telefone e endereço completo (para envio do prêmio caso seja vencedor).

Dúvidas? Acesse aqui o Regulamento

A “arca de Noé” das plantas

Noé é retratado, na Bíblia, como o responsável por preservar a vida na Terra. Em sua arca, salvou do dilúvio, casais de diversas espécies de animais.

Uma iniciativa da Noruega, administrada pelo Fundo Mundial para Diversidade de Cultivos (GCDT), visa preservar as espécies agrícolas existentes no mundo. A estratégia consiste em coletar amostras de sementes, congelá-las e mantê-las protegidas por vários séculos em um ambiente super seguro. Esse “bunker de sementes” protege esses cultivos de possíveis ameaças climáticas, desastres naturais e conflitos humanos.

Localizado nas montanhas norueguesas de Svalbard, a “Arca de Noé” das plantas, como assim ficou conhecida, pode preservar mais de um milhão e meio de amostras diferentes. Já existe no local centenas de variedades de plantas, e o Brasil foi um dos países que contribuiu o envio de muitas sementes.

 

A “Arca” brasileira

O exemplo brasileiro vem da Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a qual possui o quinto maior banco genético do mundo, e o maior da América Latina. Localizado em Brasília, o Centro Nacional de Recursos Genéticos (CENARGEN) armazena 120 mil amostras de animais, plantas e microorganismos. Sua capacidade total é para 700 mil amostras. O propósito do trabalho desenvolvido por estes pesquisadores, os “Noés modernos”, é garantir a segurança alimentar e a biodiversidade para as futuras gerações.

Você sabia?

Um dos cinco maiores bancos genéticos de cana-de-açúcar no mundo está localizado no IAC Centro de Cana, em Ribeirão Preto.

ABAG/RP